
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15/10) que os Estados Unidos precisam mais do Brasil do que o país norte-americano é necessário para os brasileiros. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o petista defendeu a continuidade das negociações comerciais com o governo de Donald Trump e disse acreditar na possibilidade de um acordo entre os dois países.
“Nós temos coisas que eles precisam mais do que coisas que eu preciso deles”, declarou Lula ao comentar a relação comercial com os Estados Unidos.
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O presidente avaliou que sua relação com Trump passou por um início de tensão, mas afirmou que os dois conseguiram estabelecer um diálogo. Segundo Lula, a relação entre eles foi “a mais civilizada que ele já teve com outro presidente da República”.
O petista acrescentou que representantes dos dois governos continuam negociando e citou encontros realizados nesta semana entre ministros brasileiros e autoridades dos Estados Unidos. “Essa semana mesmo, o meu ministro da Indústria e Comércio e o meu ministro das Relações Exteriores estiveram negociando com os Estados Unidos. Eu acho que nós vamos chegar num acordo”, declarou.
Para sustentar a avaliação de que o Brasil tem alternativas comerciais, o presidente mencionou o crescimento das relações com outros parceiros internacionais. “Embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós crescemos 20% com a China, crescemos 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã”, afirmou.
Lula acrescentou que o Brasil também registrou crescimento médio de 10,5% nas relações comerciais com 50 países visitados e voltou a alcançar recordes de superávit comercial. Para o presidente, esses resultados dão margem para que o país mantenha as negociações com Washington sem depender exclusivamente do mercado norte-americano.
“Portanto, quem deve estar preocupado conosco nesse momento são os Estados Unidos”, disse.
Apesar de defender uma solução negociada, Lula afirmou que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade caso as conversas não avancem. O presidente disse que não deseja recorrer a esse instrumento, mas ressaltou que a possibilidade permanece aberta.
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