eleições 2026

Campanhas de Lula e Flávio usam ferramentas para guerra digital

Plataformas de inteligência e compartilhamento de material das campanhas de Lula e Flávio ganham espaço no segundo turno

Para travar essa guerra, apoiadores de Lula e Flávio compartilham ferramentas e sites criados para distribuir materiais e embasar estratégias para convencer ou fidelizar eleitores -  (crédito: Ricardo Stuckert e Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)
Para travar essa guerra, apoiadores de Lula e Flávio compartilham ferramentas e sites criados para distribuir materiais e embasar estratégias para convencer ou fidelizar eleitores - (crédito: Ricardo Stuckert e Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro)

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto contam com as redes sociais para disputar a diferença de 2,2 milhões de votos entre os dois no primeiro turno. Para travar essa guerra, apoiadores de ambos compartilham ferramentas e sites criados para distribuir materiais e embasar estratégias para convencer ou fidelizar eleitores. A mobilização se intensificou após o primeiro turno, em 4 de outubro. Parte dos portais criados desde então utilizam o conceito de Osint (inteligência de fontes abertas, na sigla em inglês), reunindo dados públicos em painéis atualizados constantemente. Os objetivos das campanhas variam desde o combate a informações falsas até o constrangimento de aliados que não estão engajados.

Do lado lulista, o esforço maior é para "virar" votos. Manuais divulgados por militantes orientam cada eleitor a conversar com quem não foi às urnas, ou mesmo com quem votou em Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Uma das ferramentas mais divulgadas é a Onde Dá Para Conversar, com um mapa que separa as seções eleitorais onde houve mais votos brancos, nulos e ausentes. De acordo com o site, que utiliza dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 26.864 locais onde seria possível mudar o resultado apenas convencendo essas pessoas a votarem em Lula. A plataforma orienta os eleitores a concentrar as iniciativas nessas regiões, e traz guias sobre como conversar "olho no olho" com os demais eleitores.

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Outra iniciativa semelhante é a Dá Pra Virar, que traz estratégias para cada cidade. Em Brasília, por exemplo, onde Flávio teve ampla vantagem sobre Lula, a orientação é: "um chamado genérico para votar ajuda Flávio aqui. Procure só quem você sabe que vota em Lula e converse com os 188 mil eleitores que votaram em outros candidatos". Já em Fortaleza, onde o cenário foi o oposto, a estratégia é "aqui, levar mais gente a votar favorece Lula: cada 100 novos eleitores rendem cerca de 14 votos de saldo. Bairro, feira, igreja e grupos de família".

Também são divulgados repositórios de materiais de campanha, como o Acervo Lula, que inclui uma lista com locais e datas de manifestações de rua a favor do petista, além de vídeos e postagens prontas para serem distribuídas. Outras ferramentas são utilizadas para monitorar a discussão na mídia e nas redes sociais, como o Radar da Virada, que elenca as principais notícias do dia relevantes para a disputa eleitoral e temas que podem convencer eleitores indecisos, com destaque para o fim da escala 6 x 1.

Além dessas, dezenas de sites e painéis do tipo são compartilhados entre apoiadores do atual presidente. Grande parte das ferramentas, como a Onde Dá Para Conversar, foi criada após o resultado do primeiro turno, quando a derrota para Flávio chocou a militância petista e criou um senso de urgência ainda maior para a mobilização das redes.

Vigilância

A campanha de Flávio também passou a compartilhar sites para apoiar sua militância. Na terça-feira, o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) tornou público o "Flaviômetro", que monitora postagens de candidatos eleitos aliados do bolsonarista nas redes sociais e ranqueia os políticos pelo engajamento na campanha. O objetivo, segundo o parlamentar, é cobrar os que foram eleitos em primeiro turno e deixaram de pedir voto para o filho 01 de Jair Bolsonaro, além de celebrar os mais engajados. A plataforma traz dados desde o dia 8 de outubro, de todas as redes sociais, e é atualizada em tempo real.

No acesso da reportagem do Correio, na quinta-feira, a senadora eleita e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) liderava o ranking dos "ausentes", que estavam há mais de dois dias sem publicar apoio a Flávio. Já os mais engajados eram o deputado estadual eleito Pablo Almeida (PL-MG), o próprio Gayer e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Como os dados são atualizados constantemente, as posições mudam com frequência. A iniciativa reflete o temor da campanha com o clima de "já ganhou" entre correligionários por conta da intenficação da mobilização entre os apoiadores de Lula.

Nas redes sociais, apoiadores usam o Flaviômetro para cobrar apoio, sobretudo, dos candidatos bolsonaristas que não estão fazendo campanha para o senador. A plataforma foi divulgada, inclusive, por Eduardo e Carlos Bolsonaro, que criticaram a falta de engajamento de aliados. Segundo o próprio monitor, a estratégia deu certo: o número de postagens a favor de Flávio, por dia, subiram de 874, em 8 de outubro, quando o site começou a monitorar as publicações, para mais de 3 mil, em 14 de outubro.

Além dos rankings, o site foi atualizado para exibir também o calendário dos "Bloquinhos 22", uma série de manifestações anunciadas pelo deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) em várias cidades até as vésperas do segundo turno.

Outra iniciativa é o Flávio Com a Verdade, portal criado para desmentir notícias falsas sobre  o candidato e fornecer publicações prontas para apoiadores. Aborda tópicos como o projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, que Flávio, supostamente, apoiaria caso eleito. A notícia foi amplamente divulgada nas redes sociais dias antes do primeiro turno das eleições. "Ninguém mexe com Nossa Senhora Aparecida. Quem determina a padroeira é o Santo Padre, o Papa. Nenhum presidente da República tem essa autoridade", diz a publicação.

 

  • Ferramenta da campanha de Lula tenta atrair aqueles que não foram às urnas na primeira rodada da eleição
    Ferramenta da campanha de Lula tenta atrair aqueles que não foram às urnas na primeira rodada da eleição Foto: Fotos: Reproduções
  • Instrumento da campanha de Flávio cuja proposta é virar votos de quem não votou nele
    Instrumento da campanha de Flávio cuja proposta é virar votos de quem não votou nele Foto: Reprodução
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postado em 19/10/2026 03:55 / atualizado em 19/10/2026 06:25
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