eleições 2026

Dia de provar força nas ruas

Apoiadores de Flávio e Lula se reúnem em várias cidades do país e abrem, empolgados, a semana decisiva da eleição

Ato em apoio à candidatura de Fl.ávio Bolsonaro à Presidência da República na Avenida Paulista -  (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Ato em apoio à candidatura de Fl.ávio Bolsonaro à Presidência da República na Avenida Paulista - (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, milhares de manifestantes foram às ruas, ontem, para apoiar tanto a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) em diferentes cidades pelo Brasil. Na reta final, o principal objetivo é atrair votos de indecisos e dos que se abstiveram de votar no primeiro turno, que representaram 21% do eleitorado. As multidões serviram de aquecimento para o primeiro debate entre os dois, horas depois, na Band.

No Museu Nacional, em Brasília, milhares de apoiadores de Lula se reuniram pela manhã em um ato organizado por grupos de esquerda e movimentos populares. Os apoiadores do presidente ocuparam parte da Esplanada dos Ministérios e saíaram em caminhada até o Congresso com cartazes que, inclusive, continham mensagens contrárias à Meta — dona do WhatsZApp e Instagram —, e ao governo dos Estados Unidos. Também não faltaram críticas a Flávio e ao pai dele, preso desde o ano passado por tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

A médica Arlete Sampaio, 76 anos, presidente de honra do PT em Brasília, disse ao Correio esperar que o país não volte ao período de Jair Bolsonaro. "O Brasil tem que continuar sendo um país soberano, tem que continuar sendo um país cada vez mais desenvolvido e só o Lula pode fazer isso", disse.

Mesmo sob forte chuva, que começou por volta das 13h, os apoiadores do presidente não deixaram o local. Além do apoio a Lula, a manifestação tinha, também, o objetivo de reverter os votos ao governo do Distrito Federal, já que a governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) terminou o primeiro turno com cerca 15 pontos percentuais (49,9% x 35,4%) a mais que o candidato apoiado pelo presidente, Leandro Grass (PT). Segundo a leitura dos organizadores do evento, os petistas têm atraído, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, o apoio sobretudo de jovens.

Para atrair o público mais jovem, a militância digital do presidente, liderada pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), também busca engajar artistas à campanha de Lula na reta final. No ato em Brasília, o vocalista da banda Natiruts, Alexandre Carlo, subiu ao trio no fim da caminhada em apoio à reeleição. Entre as músicas do repertório, estava "Liberdade pra Dentro da Cabeça", sucesso da banda. Os manifestantes cantaram junto com o artista, mesmo debaixo da chuva forte.

No Rio de Janeiro, houve dois atos em apoio a Lula, que contaram com a presença de ícones da Música Popular Brasileira. A primeiro, na Praça Pio X — onde fica a Igreja da Candelária —, reuniu milhares de pessoas e foi organizada pela União Nacional dos Estudantes. O comando da manifestação ficou a cargo de Chico Buarque, que discursou para a multidão.

Quem teve fôlego, pôde participar do ato na Praia de Copacabana, horas depois. Ali, os cantores e compositores Caetano Veloso e Marisa Monte se encarregaram da festa. Caetano, aliás, lembrou quando foi preso na ditadura militar. "Fiquei numa solitária, assim como colegas meus também, Gilberto Gil, Geraldinho Azevedo — várias figuras da música brasileira sofreram isso. Estamos aqui para apresentar uma defesa da democracia contra esse tipo de coisa", frisou.

Também houve aglomerações pró-Lula em Salvador — Gilberto Gil, Daniela Mercury e outros artistas participaram de uma caminhada na orla no início da tarde. A cantora comandou um trio elétrico da Ondina para o Farol da Barra. Apoiadores do presidente também se reuniram no Largo da Batata, em Pinheiros, na capital paulista, e em outros pontos da cidade. Houve atos em outras capitais, como Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Maceió e João Pessoa.

Bloco do 22

Enquanto Lula preferiu não comparecer a qualquer das manifestações, Flávio esteve na Avenida Paulista, onde uma multidão ocupou seis quarteirões do local que tem a tradição de receber comícios políticos em momentos decisivos da política. No domingo anterior, os apoiadores do presidente que lotaram sete quarteirões da avenida em apoio a aprovação da redução da jornada de trabalho 6 x 1 e de outras pautas defendidas pela esquerda.

Na manifestação de ontem, o Bloco do 22 na Paulista durou cerca de duas horas e representa um novo formato adotado pela campanha do presidenciável, na semana que antecede a votação no segundo turno. Ao som de jingles, além de axé e funk, Flávio dançou com aliados — como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano — em um carro de som em estilo de bloco de carnaval. A concentração foi em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp).

Flávio voltou a falar que, se for eleito, quer que o pai entregue a ele a faixa presidencial. No palanque, ao lado de aliados, agradeceu à multidão de apoiadores. "Vamos virar essa página triste do Brasil. São só mais sete dias para a gente livrar o Brasil do PT", gritou, do trio elétrico, o candidato pelo PL. "E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocar a faixa de presidente da República no filho dele", acrescentou.

Em discurso, Flávio voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que, se eleito, indicará "pelo menos" quatro ministros à Corte — uma delas aberta por conta do eventual impeachment do magistrado. "Vou indicar pelo menos quatro homens e mulheres que sejam contra o aborto, que sejam contra as drogas, e que sejam a favor da prosperidade do povo brasileiro", garantiu.

No ato, um grupo de apoiadores de Flávio levou um adereço que chamou a atenção: um balão inflável em forma de míssil com um pedido para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataque o Brasil com uma bomba nuclear — lia-se a frase "Trump, nuke Brazil", que, em tradução livre, significa "Trump, jogue uma bomba nuclear no Brasil". Além disso, apoiadores do senador carregavam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, apesar de a organização do evento ter orientado os manifestantes a evitar símbolos de outros países. 

Ao longo desta semana, estão previstas novas edições do "bloquinho" de Flávio em capitais do Nordeste. Hoje, a campanha do presidenciável chega a Aracaju e há ainda a expectativa de passar por Recife, São Luís e Fortaleza até o fim da semana. O candidato também deve ir a Manaus amanhã, mas encerra a campanha no sábado com agendas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, no mesmo local onde iniciou oficialmente a corrida ao Palácio do Planalto.

 

  • Google Discover Icon
postado em 19/10/2026 03:55
x