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"Mobilização do PT nas ruas e nas redes muda dinâmica do 2º turno", diz especialista

Para o professor de Ciência Política da UnB Lúcio Rennó, a disputa presidencial exige atenção à força das militâncias, ao Congresso e aos desafios da governabilidade

Enquanto o primeiro turno foi marcado pelo crescimento de Flávio, a etapa final da campanha apresenta maior impulso de Lula, avalia Rennó -  (crédito:  Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press)
Enquanto o primeiro turno foi marcado pelo crescimento de Flávio, a etapa final da campanha apresenta maior impulso de Lula, avalia Rennó - (crédito: Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press)

A mobilização das militâncias nas ruas e nas redes sociais ganhou força na reta final do segundo turno das eleições presidenciais e alterou a dinâmica da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na visão do professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Rennó, a reação do PT após o primeiro turno ampliou a competitividade de Lula.

Para o cientista político, a campanha também evidencia mudanças na organização das forças políticas e nos desafios que o próximo presidente terá para governar. Rennó destacou que o resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente, surpreendeu parte do eleitorado e mobilizou a militância petista, tanto nas ruas quanto nas plataformas digitais.

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“Essa mobilização toda realmente mudou o jogo”, afirmou em entrevista ao CB.Poder, programa realizado pelo Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília, nesta quarta-feira (21/10). O professor observou que, enquanto o primeiro turno foi marcado pelo crescimento de Flávio, a etapa final da campanha apresenta um movimento diferente, com maior impulso de Lula. A atuação nas redes também ganha relevância, especialmente em um ambiente político no qual o bolsonarismo consolidou sua presença digital desde 2018.

Rennó também comentou no programa que a composição do Congresso Nacional será determinante para a governabilidade, independentemente de quem vencer a eleição. Ele avaliou que Flávio poderá encontrar maior proximidade ideológica com a maioria dos parlamentares, mas isso não significa que terá facilidade para aprovar propostas. O Legislativo ampliou seu poder sobre o orçamento e a agenda de votações, tornando as negociações indispensáveis. 

“Qualquer presidente que venha vai precisar saber lidar com esse Congresso empoderado”, afirmou. O professor também alertou que a disputa pela presidência da Câmara e a formação de alianças podem dificultar a construção de maiorias, mesmo para um governo alinhado à direita.

Ao analisar o papel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as propostas apresentadas na reta final da campanha e o impacto dos debates televisivos, Rennó apontou que a polarização e o desgaste do eleitorado também influenciam o processo. Para ele, a Justiça Eleitoral é fundamental para garantir a integridade das eleições, embora suas decisões estejam sujeitas a controvérsias em um ambiente de conflito político. 

O cientista político observou ainda que medidas como mudanças na escala de trabalho, propostas para o transporte público e ações de transferência de renda podem ter efeitos eleitorais, mas também ajudam a definir a agenda do próximo governo.

Perguntado sobre os debates, avaliou que o impacto direto sobre o voto está menor, embora um erro relevante possa alterar a percepção dos indecisos. “A democracia vive de um processo de construção de diálogo”, concluiu, ao destacar que a polarização pode afastar cidadãos da participação política.

Assista à entrevista na íntegra

  

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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postado em 21/10/2026 16:09
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