
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem orientado aliados a serem mais reservados nas declarações públicas para evitar polêmicas a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25/10). Segundo fontes ouvidas pelo Correio, apesar do desempenho favorável registrado pelo senador nas pesquisas eleitorais, a equipe ainda trabalha para conquistar eleitores indecisos. A avaliação interna é de que manifestações desalinhadas podem comprometer esse esforço justamente na fase decisiva da disputa, quando cada declaração tem potencial para repercutir entre os eleitores.
A orientação é “manter um discurso unificado” e evitar ataques a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo quando envolverem propostas do governo ou medidas que beneficiem a população de baixa renda. A preocupação ganhou força após a repercussão de declarações de aliados sobre o Bolsa Família e a discussão em torno da quebra de sigilos.
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Na segunda-feira (19), Daniella Marques, aliada de Flávio e responsável por apresentar propostas econômicas da campanha, defendeu uma regra de transição de dois anos para beneficiários do programa social que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio. A fala provocou reações políticas e levou o senador a se manifestar para negar que pretenda acabar com o benefício.
Outro episódio que elevou a temperatura das campanhas foi o desafio de Lula para que Flávio autorizasse a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O senador apresentou uma autorização condicionada ao atendimento de uma série de exigências envolvendo o presidente, familiares, assessores e pessoas próximas ao governo. Nos bastidores, a preocupação da equipe de Flávio é impedir que novas declarações de aliados abram frentes de desgaste e desviem a discussão dos “temas considerados prioritários para atrair o eleitorado ainda indeciso”.
A preocupação com o tom das declarações também aparece em uma fala recente do empresário Pablo Marçal que tem instruído Flávio contra Lula. Ao comentar o legado do presidente, Marçal afirmou que não é hora de desrespeitá-lo e reconheceu ações dos governos petistas na área social e na educação. “Falar de um cara que tem a vida dele tirando pessoas da miséria, ajudando o pessoal a se formar numa universidade”, declarou. Marçal também atribuiu a Lula a ampliação do ensino superior público e avaliou que o presidente já teria dado sua contribuição ao país.
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