Justiça

Caso Ana Clara: protesto em frente ao TSE denuncia censura

Ministro André Mendonça determinou suspensão do impulsionamento de postagens da campanha de Lula que ligavam Flávio Bolsonaro ao caso Ana Clara

Manifestação em frente ao TSE contra a censura do caso Ana Clara
     -  (crédito:  Pedro Paulo Cardoso CB/DA Prees)
Manifestação em frente ao TSE contra a censura do caso Ana Clara - (crédito: Pedro Paulo Cardoso CB/DA Prees)

Cerca de 60 pessoas protestam em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (23/10), contra a decisão do ministro André Mendonça que determinou a suspensão do impulsionamento de postagens da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ligavam o adversário Flávio Bolsonaro (PL) ao caso Ana Clara.

Os participantes, em sua maioria mulheres, seguraram cartazes e protestaram contra a decisão, que classificaram como censura ao caso de Ana Clara. Eles defenderam o julgamento do caso, a democracia e um tribunal imparcial, além de criticarem a possibilidade de suspensão do canal de mobilização no WhatsApp “Exército do Lula”.

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“Se essa suspensão (do Exército do Lula) acontecer, é tentativa de intervenção e de golpe”, disse o deputado federal recém-eleito Fábio Félix (PSol). O protesto reuniu integrantes da União Brasileira de Mulheres (UBM) e dos coletivos Criança Não É Mãe, Juntas, Campanha Faça Bonito e Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes.

Os presentes também denunciaram o caráter eleitoral das decisões da Corte, que, na avaliação deles, seriam uma tentativa de impedir a investigação de Flávio Bolsonaro e de seus aliados às vésperas do pleito. “Vemos tentativas de interferência no processo eleitoral quando se nega que os eleitores saibam que um candidato está diretamente envolvido em defender um assassino de uma criança”, disse Ana Carolina Tessmann, professora que participou do ato.

Além do caso de Ana Clara, foi mencionado o arquivamento da acusação de estupro contra Alfredo Gaspar (PL-AL), vice de Flávio. Os manifestantes também criticaram o envolvimento de ministros no caso do Banco Master, citando, inclusive, a participação do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. A atual governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (PP), também foi questionada sobre as denúncias de assédio dentro do governo.

“Queremos falar sobre o caso Ana Clara, que merece justiça e visibilidade, para que outras mulheres não sejam vítimas desse nível de violência. Também não aceitaremos a tentativa de intervenção direta de dois ministros no processo eleitoral brasileiro”, disse Fábio Félix.

Maria das Neves Filha, presidente da UBM, criticou a violência contra as mulheres e defendeu mudanças no atual modelo de segurança que permitam identificar e rastrear melhor os policiais envolvidos em crimes.

“Não somos contra a Polícia Militar, somos contra o modelo de segurança que mata através dela. O nosso ato é para dizer que o modelo defendido por Flávio está aliado à morte de crianças. Essas eleições, para nós, mulheres, são sobre nossa liberdade e nosso direito de ir e vir”, afirmou.

Segundo ela, os coletivos estão estudando as medidas judiciais cabíveis para recorrer da decisão. “A nossa preocupação com a eleição de Flávio Bolsonaro é que esse caso caia no esquecimento e a justiça não seja feita”, completou.

A decisão e o caso Ana Clara

Na decisão proferida na última quarta-feira (21), o ministro argumentou que o conteúdo da propaganda tinha natureza predominantemente negativa e que “a mensagem publicitária dirige-se essencialmente à crítica e à desqualificação do candidato adversário”.

Ele não julgou a veracidade do conteúdo da propaganda e apontou que a “probabilidade do direito decorre, especificamente, da utilização de impulsionamento remunerado para difusão de propaganda eleitoral negativa”.

Ana Clara Gomes Machado foi morta em 2021, aos cinco anos de idade, por um disparo de fuzil enquanto brincava na porta de casa, na comunidade de Monã Pequeno, durante uma ação policial. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo partiu do policial militar Bruno Dias Delaroli.

Ele foi preso em flagrante e denunciado por homicídio qualificado, sob a acusação de ter assumido o risco de matar. Posteriormente, a prisão foi revogada, com a imposição de medidas cautelares.

A Justiça decidiu, então, submeter o caso a júri popular. Em 2024, quando atuava como senador, Flávio assinou o documento apresentado pela defesa do militar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de reverter o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado. Até o momento, no entanto, Delaroli não foi julgado.

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postado em 23/10/2026 16:05 / atualizado em 23/10/2026 17:36
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