
A decisão de estender a votação do segundo turno até as 19h, mesmo após o início da apuração em parte do país, criou um cenário inédito no processo eleitoral brasileiro. A avaliação é do cientista político Jorge Mizael, entrevistado neste domingo (25/10) pelo CB Poder Eleições, programa especial do Correio Braziliense para acompanhar o segundo turno.
Durante a entrevista, Mizael criticou a demora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em se posicionar sobre os pedidos de prorrogação do horário de votação. As solicitações foram motivadas por problemas de mobilidade urbana, como a redução da frota de ônibus em Salvador e São Paulo, além das chuvas no Rio Grande do Sul.
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“É um cenário inédito”, disse o cientista político, ao defender o acompanhamento dos próximos passos do TSE para entender os efeitos da medida sobre o resultado eleitoral.
Para o cientista político, o TSE teve tempo para avaliar a situação antes do encerramento previsto da votação, às 17h. Segundo ele, a primeira notificação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou por volta das 13h, mas o tribunal não tomou uma decisão a tempo.
A mudança ocorreu por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou o período de votação. A medida, no entanto, encontrou uma operação eleitoral já em andamento, com urnas fechadas e equipamentos que haviam iniciado o processo de transmissão dos dados para a apuração.
“Uma vez fechada a urna, não pode se abrir”, afirmou Mizael ao destacar a complexidade da decisão. Para ele, a situação exige atenção aos próximos posicionamentos da Justiça Eleitoral, já que ainda há dúvidas sobre como a extensão do horário será aplicada nos locais em que a votação havia sido encerrada.
O cientista político também demonstrou preocupação com a repercussão do episódio sobre a confiança no resultado. Na avaliação dele, a interferência judicial pode abrir espaço para questionamentos dos dois lados da disputa, independentemente de quem vença a eleição.
“Qualquer que seja o resultado apurado, vai sofrer crítica”, disse.
Mizael ainda apontou que a decisão pode afetar a participação dos eleitores. Quem deixou de votar por dificuldades de transporte durante o dia pode ter uma nova oportunidade com a ampliação do horário. Ao mesmo tempo, a mudança de última hora impõe desafios logísticos e jurídicos às equipes responsáveis pela votação e pela apuração.
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