ELEIÇÕES 2026

Lula recebe chanceler em meio a incertezas de aval dos EUA a eleições

A expectativa para um reconhecimento dos EUA à validade das eleições brasileiras é permeada por posicionamentos contrários que partiram de figuras relevantes a Trump, e de Flávio Bolsonaro (PL)

Encontro no Alvora ocorre em meio a expectativas de reconhecimento do presidente Donald Trump ao resultado das eleições brasileiras, que anunciaram a reeleição de Lula -  (crédito: BBC Geral)
Encontro no Alvora ocorre em meio a expectativas de reconhecimento do presidente Donald Trump ao resultado das eleições brasileiras, que anunciaram a reeleição de Lula - (crédito: BBC Geral)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu os ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e assessores de Assuntos Internacionais, nesta segunda-feira (26/10), um dia após a formalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em declará-lo reeleito ainda não ter sido reconhecida por países como os Estados Unidos e a Argentina.

Segundo a agenda presidencial, os encontros ocorrem no Palácio da Alvorada, e começam com a reunião entre Lula e Vieira, às 15h. O encontro de Lula com Múcio ocorrerá depois, às 16h, também na residência oficial do presidente da República, em Brasília.

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A expectativa para um reconhecimento do governo norte-americano à validade das eleições brasileiras é permeada por posicionamentos contrários ao resultado das urnas que partiram de figuras relevantes ao presidente dos EUA, Donald Trump, e do então opositor de Lula nesse pleito, Flávio Bolsonaro (PL), que anunciou ontem não reconhecer a reeleição de Lula.

Além disso, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, atualmente, é caracterizada pela sobretaxa de até 37,5% a uma lista de produtos exportados ao país da América do Norte. 

“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive nas palavras de algum ministro que a própria imprensa replicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram neste momento”, afirmou Flávio, momentos após o TSE declará-lo perdedor nas eleições.

O motivo de o motivo do PL não reconhecer sua derrota foi explicado, segundo ele, pelo fato de o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatar ação da coligação Lula e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), que pedia prorrogação das eleições até 19h de ontem.

Essa decisão, porém, foi emitida minutos após às 17h, horário inicial de fechamento das urnas eletrônicas. Além de ter acionado o STF, o pedido de prorrogação do horário das eleições para 19h foi mandado ao TSE, que só emitiu manifestação após a decisão do Supremo.

Zanin advogou para Lula, lembra trumpista

O fato de o ministro Cristiano Zanin — ex-advogado de Lula — ter sido sorteado para acatar a ação enviada pela campanha do petista foi criticado pelo advogado Marin De Luca, que atua em uma empresa que tem Donald Trump como sócio.

Segundo ele, esse histórico de envolvimento pessoal pode fazer com que o reconhecimento do pleito pelos Estados Unidos seja prejudicado. "Há uma preocupação crescente no Brasil de que os EUA e outros países possam não reconhecer o resultado do pleito, diante das graves irregularidades que vieram à tona no momento do encerramento da votação", escreveu.

Outro personagem de relevância ligado a Donald Trump que se manifestou de forma a duvidar do resultado das eleições brasileiras foi Elon Musk. O dono do X e da Tesla se atentou ao aumento de votos que Lula teve no segundo turno, em comparação com o primeiro, que foi vencida por Flávio Bolsonaro.

"Conta não fecha", escreveu Musk, ao compartilhar publicação no X que mostra desempenhos dos então candidatos Lula e Flávio Bolsonaro, nos dois turnos da votação. "1º turno — Bolsonaro: 56,1 milhões de votos. Lula: 53,9 milhões de votos. 2º turno: Lula: 64,1 milhões de votos (+10,2 mi), Bolsonaro: 59,8 milhões de votos (+3,7 mi). Para ter uma ideia do quão improvável isso é: todos os candidatos eliminados do primeiro turno tinha 9.33 milhões de votos juntos", dizia o post compartilhado pelo dono do X.

O entendimento de a conta "não fechar" nas eleições brasileiras não consideraram a redução da abstenção no segundo turno e a entrada de novos votos a Lula que partiram de eleitores que apertaram branco ou nulo no primeiro turno.  

Na contramão dos Estados Unidos, o resultado da eleição brasileira de ontem foi reconhecido por países como a China e a Rússia, além da União Europeia. Entre países-membros e aliados do Mercado Comum do Sul (Mercosul), a vitória do petista foi reconhecida, com exceção da Argentina, que ainda não se posicionou.

Matéria foi atualizada após a confirmação de que a reunião entre Lula e o ministro da Defesa, José Múcio, que estava na agenda presidencial para esta segunda, foi adiada.

  

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postado em 26/10/2026 15:50 / atualizado em 26/10/2026 19:06
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