A cientista política e gestora pública Leany Lemos, 56 anos, tomou posse nesta terça-feira (6) como senadora pelo Distrito Federal. Primeira suplente de Leila Barros, a Leila do Vôlei (PDT-DF), ela assume a cadeira da titular durante a licença sem remuneração. É a primeira vez que Leany ocupa o plenário do Senado como parlamentar, embora conheça a Casa por dentro desde 1993, quando ingressou como servidora.
A relação com o Congresso, aliás, é anterior à carreira pública de Leany. Seu pai, Leonardo Barreiro Lemos, chegou a Brasília vindo de Itaporanga, no sertão da Paraíba, e trabalhou como ajudante de pedreiro na construção do Congresso Nacional. Com apenas dois anos de escolaridade formal, fez carreira na construção civil e participou de obras de escolas, postos de saúde e prédios públicos, além do Conjunto Nacional e do Banco Central. Foi em Brasília que ele e a mulher, Maria Avani de Sousa Lemos, criaram a família. Décadas depois, a filha passou a trabalhar no prédio que ele ajudou a construir.
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No Senado, Leany ocupou diferentes funções ao longo da carreira. Foi secretária de comissão, chefe de gabinete e assessora de senadores de partidos distintos, entre eles Darcy Ribeiro, Roberto Freire, Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg. A experiência com Rollemberg a levaria posteriormente para o Executivo: quando ele foi eleito governador do Distrito Federal, em 2014, Leany coordenou a transição e depois assumiu a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão.
Foi no governo do DF que sua atuação como gestora ganhou maior projeção. À frente do planejamento e do orçamento, participou da administração do estado durante um período de restrição fiscal. Em 2018, deixou o cargo para integrar, como primeira suplente, a chapa de Leila Barros na disputa pelo Senado. As duas foram eleitas naquele ano.
A suplência, no entanto, só levou Leany ao plenário oito anos depois. Com o afastamento temporário de Leila, ela passa a exercer o mandato e troca a posição de assessora e gestora pela de parlamentar. “Entendo o mandato como uma grande responsabilidade constitucional e política”, afirmou após a posse. Disse que pretende levar para o Senado a experiência acumulada no serviço público.
Entre uma eleição e outra, Leany ampliou a trajetória na administração pública. Depois do governo do DF, foi secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão do Rio Grande do Sul e ocupou a presidência e a Diretoria de Operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Também participou de entidades que reúnem secretários estaduais das áreas de planejamento e administração.
No governo federal, ocupou a Secretaria Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, durante a gestão da ministra Simone Tebet. Uma de suas principais atribuições foi coordenar a elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, que define diretrizes, objetivos e metas da administração federal para o período de quatro anos. O processo incluiu consultas públicas e participação da população.
A carreira no Executivo conviveu com a formação acadêmica. Leany estudou em escolas públicas de Brasília e formou-se em Letras-Tradução pela Universidade de Brasília (UnB), onde também fez mestrado em Ciência Política e doutorado em Estudos Comparados sobre as Américas. Sua tese recebeu o prêmio de melhor tese em Ciência Política da América Latina da Associação Latino-Americana de Ciência Política (Alacip) e menção honrosa no Prêmio Capes de Tese.
Ela também passou por universidades estrangeiras, entre elas Oxford e Princeton, em programas voltados a ciência política e políticas públicas. Seus trabalhos acadêmicos tratam de temas como instituições políticas, Legislativo, democracia e accountability. Leany é professora do IDP e participou da criação do Instituto Trajetórias, voltado à formação de brasileiros em universidades no exterior.
A chegada ao Senado muda, ao menos temporariamente, o lugar que Leany ocupou durante boa parte da vida profissional.
Depois de acompanhar o Legislativo como servidora e trabalhar na formulação de políticas públicas nos governos do DF, do Rio Grande do Sul e da União, ela passa agora a ocupar uma das 81 cadeiras do Senado. E faz isso em uma instituição que também está ligada à história de sua família: o prédio em que o pai trabalhou como operário é agora o local onde a filha exerce um mandato parlamentar.
