O líder do PT no Senado Federal, senador Camilo Santana (PT-CE), colhe assinaturas para apresentar uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para que a matéria também trate da redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
A ideia, no entanto, não foi apoiada por uma ala do partido. Senadores ouvidos demonstraram incômodo com a ideia e defenderam que a emenda não fosse apresentada nem acatada pelo relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE).
Isso porque o governo tem pressa em aprovar a proposta e, caso a emenda seja incorporada e o texto alterado, a PEC precisaria retornar à Câmara para ser votada novamente. Com isso, a aprovação da medida ficaria para depois das eleições, o que o governo não quer.
O movimento do coordenador da campanha à reeleição do presidente Lula (PT) ocorre após o líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentar, nesta quarta-feira (15/10), uma emenda sugerindo a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e associação criminosa.
A oposição também já sinalizou que, caso a emenda seja rejeitada, discutirá o tema via destaque. Senadores dessa ala estão otimistas e acreditam que conseguirão incluir o tema na PEC da Segurança. Pesquisa do Datafolha de julho, por exemplo, mostrou que 79% dos brasileiros são a favor da redução da maioridade penal. A votação ocorre às vésperas do segundo turno das eleições.
Entre outros pontos, a PEC institui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), integrando as ações da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios contra o crime organizado. Além de endurecer as regras contra facções e milícias, a medida autoriza a criação de polícias municipais e amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Para ser aprovada no Plenário, a PEC precisa do apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos de votação antes de seguir para promulgação. Nesta quarta-feira, os senadores aprovaram um calendário especial para a matéria, permitindo que a votação dos dois turnos ocorra no mesmo dia. A expectativa é que a votação ocorra nesta tarde.
Na Câmara, ocorreu uma movimentação semelhante para incluir o tema da maioridade penal na PEC da Segurança. No entanto, o assunto está sendo tratado separadamente em outra PEC, que tramita na Comissão Especial da Casa.
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