PEC da SEGURANÇA

Ignorando resistência do PT, Camilo apresenta emenda para reduzir maioridade penal

Proposta assinada por outros 27 senadores contraria avaliação de dirigentes petistas, que defendem manutenção do texto aprovado na CCJ e rejeitam abrir discussão sobre o tema neste momento

Apesar da resistência de uma ala do Partido dos Trabalhadores (PT), o senador Camilo Santana (PT-CE) apresentou uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.
A iniciativa, que conta com a assinatura de outros 27 parlamentares, contraria a avaliação de caciques petistas, que defendem a manutenção do texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sem alterações que possam comprometer o avanço da matéria.
Ao Correio, dirigentes da legenda demonstraram irritação com a movimentação de Camilo. Nos bastidores, a avaliação é de que o tema não deveria ser colocado em discussão neste momento, sobretudo às vésperas da votação da PEC no plenário do Senado. Para esse grupo, a inclusão de um assunto considerado sensível pode abrir uma nova frente de divergências e dificultar a aprovação da proposta.

Na emenda apresentada à PEC, Camilo propõe alterar o artigo 228 da Constituição Federal para estabelecer a imputabilidade penal aos 16 anos em crimes considerados formalmente hediondos, mantendo a regra geral de 18 anos para os demais delitos. Na justificativa, o senador argumenta que organizações criminosas têm se aproveitado da legislação atual para recrutar adolescentes. "Não é coerente presumir, de forma absoluta, que quem pode escolher os governantes do País seja incapaz de compreender a ilicitude de um homicídio qualificado, de um latrocínio ou de um estupro", sustenta.
O parlamentar também afirma que o limite atual de 18 anos tem sido explorado por facções criminosas, uma vez que a legislação prevê, mesmo para atos infracionais graves, o prazo máximo de três anos de internação. Para Camilo, a mudança atenderia ao sentimento de justiça da população e permitiria uma responsabilização proporcional à gravidade dos crimes. A proposta cita ainda experiências internacionais, como Portugal e França, para justificar a alteração constitucional.

A iniciativa, no entanto, expõe divergências dentro do próprio PT. Enquanto Camilo defende o endurecimento da legislação penal, dirigentes da legenda avaliam que a prioridade deve ser assegurar a aprovação da PEC da Segurança Pública nos termos acordados na CCJ. O receio é de que mudanças no texto provoquem um novo impasse político e obriguem a matéria a retornar à Câmara dos Deputados.

Entre os signatários da emenda estão os petistas Jaques Wagner (BA), Rogério Carvalho (SE), Beto Faro (PA) e Fabiano Contarato (ES), além de nomes como Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM).

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