O deputado federal André Janones (Rede-MG) ganhou espaço na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 2026 ao criar o “Exército do Lula”, canal no WhatsApp que reúne mais de 4,6 milhões de seguidores. A iniciativa divulga mensagens, vídeos e orientações para ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao petista nas redes sociais e se tornou alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Advogado de formação, André Luis Gaspar Janones nasceu em 5 de maio de 1984, em Ituiutaba, no interior de Minas Gerais. Ele foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2018, conquistou um segundo mandato em 2022 e voltou a se eleger em 2026, com 78.780 votos. Atualmente, é filiado à Rede Sustentabilidade.
A projeção nacional veio, em parte, da atuação nas redes sociais. Janones ganhou visibilidade durante a greve dos caminhoneiros de 2018, quando passou a publicar vídeos e transmissões sobre política. Em 2022, lançou uma pré-candidatura à Presidência pelo Avante, mas desistiu de disputar o cargo para apoiar Lula.
Mobilização digital
Na campanha de 2026, a atuação do deputado ganhou novo impulso após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Janones não havia ocupado posição central na estratégia digital de Lula durante a primeira etapa da eleição. Com o resultado da votação e a criação do canal no WhatsApp, passou a atuar mais diretamente na mobilização de apoiadores do presidente.
O “Exército do Lula” orienta os participantes a curtir publicações, comentar, compartilhar vídeos em diferentes plataformas e encaminhar materiais a contatos no WhatsApp. A estratégia busca fazer com que conteúdos favoráveis ao candidato alcancem usuários para além dos perfis oficiais da campanha.
A iniciativa, porém, entrou na disputa eleitoral. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal após uma ação relacionada à campanha de Flávio Bolsonaro. Na decisão, apontou indícios de atuação coordenada com a campanha petista, levantando questionamentos sobre os limites entre a mobilização organizada por apoiadores e as atividades das candidaturas oficiais.
O canal chegou a ser suspenso mais de uma vez. Após determinação do ministro, a campanha de Lula registrou o endereço junto à Justiça Eleitoral, mas contestou o entendimento de que a iniciativa deveria ser tratada como um canal oficial da candidatura.
O PT também questionou a diferença de tratamento em relação ao “Tropa do Flávio”, canal ligado ao adversário de Lula. A controvérsia colocou a mobilização digital dos apoiadores no centro da disputa jurídica entre as campanhas.
Denúncia e acordo no STF
A trajetória de Janones também foi marcada por uma denúncia de suposta prática de “rachadinha” em seu gabinete, relacionada à devolução de parte dos salários de assessores. O caso foi arquivado pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados em 2024.
Na esfera criminal, o parlamentar firmou um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) que previa o pagamento de cerca de R$ 157,8 mil, incluindo ressarcimento aos cofres da Câmara e multa.
Com o “Exército do Lula”, Janones voltou a ocupar espaço na estratégia política do presidente, desta vez por meio de uma mobilização digital de milhões de pessoas. A iniciativa também passou a enfrentar questionamentos da Justiça Eleitoral sobre sua relação com a campanha oficial.
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