Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos encaminhou, nesta quinta-feira (22/10), uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre denúncias de favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e restrições impostas à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas plataformas da empresa. O documento, assinado pelo senador Bernie Sanders e pela deputada democrata Pramila Jayapal, entre outros congressistas, aponta possíveis interferências da big tech na disputa pelo Palácio do Planalto, às vésperas do segundo turno.
“Estamos, portanto, profundamente preocupados com relatos confiáveis de que as plataformas da Meta estariam restringindo ou suprimindo conteúdos associados à campanha de Lula, ao mesmo tempo que ampliam o alcance ou recomendam conteúdos associados à campanha de Bolsonaro, criando, assim, condições marcadamente desiguais no ambiente digital”, afirmam os parlamentares. Na avaliação dos congressistas, é inaceitável que uma empresa de tecnologia favoreça determinado candidato, de maneira deliberada ou não, e interfira no resultado de eleições realizadas em outros países.
A carta reúne episódios que, segundo os signatários, evidenciam o tratamento desigual. Entre eles, a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook, em 23 de setembro, a 11 dias do primeiro turno, e o bloqueio do impulsionamento de publicações no Instagram entre 9 e 10 de outubro. Conforme estimativa da campanha petista citada no documento, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios durante o segundo episódio. Os parlamentares também mencionam relatos de funcionários da Meta sobre recomendações algorítmicas que teriam beneficiado o perfil de Flávio e um canal de WhatsApp associado à sua campanha.
Outro ponto levantado pelos congressistas envolve mais de mil relatos de restrições à circulação de conteúdos políticos identificados pela organização CTRL+Z, com predominância de contas favoráveis ao petista. O documento ainda menciona denúncias de que a inteligência artificial da Meta teria se recusado a produzir materiais de apoio a Lula, embora atendesse a solicitações semelhantes em favor do adversário. Os parlamentares recordam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou a empresa em 15 de outubro e, quatro dias depois, dobrou a penalidade diante do descumprimento das determinações judiciais.
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