A ex-deputada federal Joice Hasselmann voltou a afirmar, nesta terça-feira (27/10), que o senador Flávio Bolsonaro (PL) havia preparado um plano para deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial. Em publicação no X, ela criticou a falta de providências diante de informações que, segundo seu relato, já circulavam antes do segundo turno.
A manifestação ocorre em meio às investigações da Polícia Federal (PF) sobre o paradeiro do senador, que teve os passaportes cancelados por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A suspeita ganhou repercussão após o portal argentino Infobae noticiar que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria atravessado a fronteira com a Argentina para embarcar em um avião particular rumo aos Estados Unidos. A versão, entretanto, ainda não foi confirmada pelas autoridades brasileiras e é contestada pelo governo argentino, que afirma não possuir registros da entrada do parlamentar no país vizinho.
Na publicação, Hasselmann sustentou que as informações sobre uma eventual fuga chegaram a ela por meio de pessoas próximas ao candidato derrotado. A ex-parlamentar afirmou que havia alertado publicamente para essa possibilidade antes da votação de domingo (25/10), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a reeleição.
"As autoridades tinham que ter ouvido o alerta antes! A informação que eu trouxe sobre a fuga de Flavio Bolsonaro veio de fonte absolutamente segura, inclusive de gente ligada à campanha dele."
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Joice retomou as declarações feitas nos dias anteriores à eleição e afirmou que Flávio já teria organizado sua saída do país caso não conseguisse vencer a disputa presidencial.
"Gente, há cinco dias eu avisei claramente em vídeo, em posts, no X, para a imprensa que Flávio Bolsonaro já tinha um plano de fuga do Brasil caso não fosse eleito. Isto está gravado, registrado."
A ex-deputada também relatou que chegou a acreditar que o senador permaneceria no Brasil depois de anunciar a intenção de contestar judicialmente o resultado das urnas. Após a divulgação das notícias pela imprensa argentina, porém, voltou a defender a hipótese de que o parlamentar teria colocado o suposto plano em prática.
"Eu confesso para vocês que eu achei até que ele ia desistir do plano de fuga porque disse que ia entrar para anular a eleição, fazer aquele barulho todo, mas pelo que diz a imprensa argentina, ele realmente meteu o pé do Brasil."
Segundo Hasselmann, a viagem teria sido planejada com antecedência e envolveria uma aeronave particular preparada para transportar Flávio à Flórida, nos Estados Unidos. A ex-parlamentar não apresentou, nas declarações reproduzidas, documentos que comprovassem a existência desse plano.
"Ele já tinha um jatinho fretado, gente. Há disposição dele para sair do Brasil em direção à Flórida cinco dias antes da eleição."
De fato, em publicação feita pouco tempo após a confirmação da reeleição de Lula, Hasselmman havia dito que seria "bom redobrar" as fronteiras do Brasil, frente à uma possível fuga.
Passaportes cancelados e paradeiro desconhecido
Enquanto as declarações de Joice repercutiam nas redes sociais, a Polícia Federal intensificava as diligências para esclarecer a localização do senador. Nesta terça-feira, a corporação cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio, que não haviam sido entregues dentro do prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A ordem judicial, expedida na segunda-feira (26/10), estabelecia que o parlamentar deveria apresentar os documentos em até 24 horas e permanecer em território brasileiro. A medida integra uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro em operações envolvendo empresas e apostas on-line. O senador também foi proibido de manter contato com o advogado.
Em manifestação anterior, Flávio negou que pretendesse deixar o país e criticou a determinação judicial. O senador declarou que entregaria seus passaportes e contestaria a medida, mas não cumpriu a ordem dentro do prazo estabelecido.
Desde as primeiras horas desta terça-feira, entretanto, integrantes de seu círculo político e representantes jurídicos relataram dificuldades para encontrá-lo. Segundo informações obtidas pelo Correio, o celular do parlamentar estava desligado, enquanto aliados afirmavam haver indícios de que ele poderia ter deixado o Brasil. Outros integrantes do PL negaram a possibilidade de fuga.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, afirmou que o parlamentar não saiu do país. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, também contestou as notícias sobre uma eventual viagem clandestina, atribuindo os rumores a adversários políticos.
Argentina nega entrada do senador
As informações sobre a possível passagem de Flávio pela Argentina levaram as autoridades brasileiras a buscar esclarecimentos junto ao governo do país vizinho. A suspeita estava relacionada à presença de um avião fretado no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, próximo à fronteira com o Brasil.
A aeronave, que supostamente seria utilizada para transportar o senador aos Estados Unidos, tinha previsão de decolagem na manhã desta terça-feira. O voo, contudo, foi cancelado antes da apresentação do plano de viagem e da relação de passageiros, segundo informações obtidas pelo Correio junto a fontes da Polícia Federal.
O governo argentino, por sua vez, divulgou um comunicado no qual negou a existência de registros migratórios que comprovassem a entrada de Flávio em seu território. As autoridades locais também informaram que verificaram a documentação da empresa responsável pelo avião, sem identificar irregularidades ou planos de voo que incluíssem integrantes da família Bolsonaro.
A administração do presidente Javier Milei também descartou a existência de um pedido de asilo político apresentado pelo senador brasileiro.
Apesar das informações contraditórias, a eventual saída de Flávio Bolsonaro do Brasil permanece sem confirmação oficial.
