
O aumento da temperatura no mundo tem resultado em efeitos claros e preocupantes sobre a saúde mental e a capacidade cognitiva da população. Segundo o estudo “The correlation between high temperature and cognitive function: a CHARLS 2018 cross-sectional study”, publicado em 2025 pela revista científica Archives of Public Health, a exposição frequente a dias de calor intenso está associada à redução do desempenho cognitivo, ocasionando dificuldade de aprendizado, raciocínio e memória, e ao aumento de sintomas depressivos em adultos e idosos.
A pesquisa reforça ainda que o aquecimento global não representa apenas um desafio ambiental, mas também um risco crescente para o funcionamento do cérebro. “O cérebro é um dos órgãos mais sensíveis às mudanças de temperatura e ao estresse gerado pelo calor extremo no organismo. Quando somos expostos a temperaturas elevadas, o corpo ativa mecanismos de emergência para manter a temperatura interna estável, o que exige um grande esforço fisiológico e energético”, explica a neuropsicóloga da NeuronUP, Martha Valeria Medina Rivera.
Para ajudar a diminuir os efeitos que o calor pode provocar na capacidade cerebral, Martha Valeria Medina Rivera compartilha 4 orientações de iniciativas que podem minimizar os impactos. Confira!
1. Organize as tarefas cognitivas mais exigentes para os horários mais fresco
Segundo a especialista, há estratégias eficazes de proteção contra o calor intenso para a saúde do cérebro. “Organizar as tarefas cognitivas mais exigentes para os horários mais frescos do dia, manter hidratação adequada e garantir o descanso noturno são pilares essenciais para proteger o cérebro do calor”, indica.
2. Faça atividades que estimulem a capacidade cognitiva
O calor está afetando diretamente a atenção e a tomada de decisões, segundo o estudo publicado na Archives of Public Health. Neste sentido, manter a concentração por longos períodos, ignorar distrações ou seguir instruções complexas torna-se mais difícil quando o cérebro está submetido ao estresse térmico.
As funções executivas também sofrem prejuízos: planejamento, tomada de decisões, flexibilidade cognitiva e controle de impulsos são claramente afetados, o que explica por que, em contextos de calor intenso, as pessoas tendem a cometer mais erros e tomar decisões mais impulsivas.
Para reduzir os impactos, a especialista destaca a importância da estimulação cognitiva. “Por meio do treinamento específico de funções como atenção, memória e funções executivas, é possível melhorar a eficiência cognitiva e a capacidade de adaptação do cérebro”, afirma.

3. Tenha atenção redobrada aos grupos mais vulneráveis
A exposição ao calor intenso afeta de forma desigual diferentes faixas da população. As crianças são mais vulneráveis porque o cérebro está em uma etapa crítica de crescimento e aprendizagem. As pessoas idosas têm menor capacidade fisiológica de adaptação ao calor e menor reserva cognitiva — que funciona como um escudo natural do cérebro. Assim, o estresse térmico pode comprometer a atenção, o aprendizado e a autonomia, tornando os efeitos do calor mais intensos e duradouros.
Para reduzir os riscos, Martha Valeria Medina Rivera orienta sobre a importância de estratégias preventivas adaptadas a cada grupo. “Ambientes escolares e residenciais devem ser adequadamente climatizados. Hidratação constante e estímulo ao descanso também são medidas fundamentais”, diz.
4. Invista em terapia neurocognitiva para proteger o cérebro
A especialista aponta que, além das mudanças no ambiente e na rotina, a terapia neurocognitiva é uma ferramenta poderosa para combater os efeitos negativos do calor no cérebro. “Por meio do treinamento específico de funções como atenção, memória e funções executivas, é possível melhorar a eficiência cognitiva e a capacidade de adaptação do cérebro”, conclui.
Por Patrícia Martins Buzaid
