
Cláudio Ferreira — especial para o Correio
Em meu caminho diário casa-trabalho, sempre me divirto ao procurar ver qual é a frase estampada em um letreiro de um bar da Asa Norte, que imita o dos cinemas antigos. São dizeres sempre bem-humorados, destacando perrengues do cotidiano, principalmente da geração mais jovem. A dessa semana lamenta que o prêmio da Mega sena não tenha vindo. Por isso, segue o trabalho diário em 2026.
Como não bebo álcool, não frequento muitos bares. Mas esse me chama a atenção pela criatividade. Eles poderiam ser só eficientes na cerveja gelada, nos petiscos e no ambiente. Mas resolveram ser criativos e isso faz muita diferença.
Vivo observando soluções criativas para problemas cotidianos ou, simplesmente, a criatividade que vira a cereja do bolo de um local de diversão. Como a iniciativa do gastrobar vegano que batizou seus sanduíches de Lobo Guará e Capivara. É muito gostoso, ao ler um cardápio, saber que alguém se preocupou em fazer essa conexão com o Cerrado e com Brasília.
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Acontece também com algumas pizzarias, que esbanjam criatividade na hora de nomear suas massas. Mesmo as mais tradicionais, muitas vezes, são batizadas de maneira diferente, bem-humorada. Os nomes, frequentemente, fazem parte do conceito temático do restaurante.
Lembro-me de uma sorveteria da minha juventude, que ficava, se não estou enganado, na comercial da 206 sul. Tinha uma taça enorme que poderia ser dividida por várias pessoas sem problemas. O nome da iguaria? Comigo ninguém pode.
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Mesmo o nome do estabelecimento é motivo de muita criatividade. Gosto especialmente dos trocadilhos. Não é genial aproveitar um dito popular — "bebe que nem um gambá" — para batizar a casa de Gambar? Exemplos vários estão espalhados pela cidade e, pelo que tenho visto, quanto mais popular, mais criativo.
Um amigo é dono de um espaço cultural no final da Asa Norte. Oferece atrações de música clássica e popular e aulas sobre vários aspectos do universo musical, entre outras atividades. Uma das ferramentas para atrair o público é misturar tudo isso com muita criatividade. Semana passada teve feijoada com chorinho. Frequentemente tem chá, bolinhos e ópera.
Mas como tudo na vida, criatividade precisa ser usada com parcimônia. Tenho visto isso, por exemplo, nos letreiros de muitos estabelecimentos. A avidez por nos trazer algo criativo é tanta que, às vezes, o tiro sai pela culatra. O logotipo é estilizado demais, as letras não são compreensíveis e o nome do restaurante ou do bar passa despercebido. Aconteceu outro dia. O nome do local estava escrito em uma letra mais fina e da mesma cor do fundo. Resultado: foi preciso muito esforço para ler. E não me lembro mais do nome.

Revista do Correio
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