
Especial para o Correio — Vanda Célia Coura
Janeiro é o mês da esperança. Em nenhum outro momento do calendário temos tantas intenções positivas: ser melhor, fazer melhor, seguir em frente, avançar. Quem não deseja, aqui e agora, tirar projetos do papel e aumentar a disposição para chegar mais longe? Quem não quer mais fé e otimistmo para lidar com a vida? Outra característica de janeiro são as previsões, mas fazer conjecturas a um ano das eleições é arriscado.
Nós temos um alto grau de imprevisibilidade, quase tudo pode desabar amanhã e o autor da previsão ficar com a teoria publicada a questioná-lo até ao fim da vida. Acontece que sou imprudente. E vou apostar que alguns políticos estão em sério risco de perder as eleições porque a maioria das pessoas começa a desejar que a arrogância deles tenha preço elevado.
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Vai acontecer mudança? Penso racionalmente que é possível acontecer. Neste ano que começa seria bom que o eleitor assumisse atitude mais prudente do que a que pretendem os encantadores de serpentes. Desejo que busquem, no DF e no Brasil, capacidade de governar em prol da maioria, além de qualificação, vocação e dedicação à causa pública.
Uma vez, prenderam Pablo Picasso, e o juiz perguntou ao grande pintor espanhol: "Como é seu nome?" Picasso disse: "Meritíssimo, não vamos perder tempo com coisas já sabidas!". Espero não fazer ninguém perder tempo com coisas já sabidas, mas chamar a atenção para detalhes que podem ter escapado a vocês pela falta de paciência geral com a política.
Observe quem tem partido forte, disposição de luta, capacidade de comunicação, força pessoal para comandar equipes eficientes. Mais: valorize quem conta com admiração popular. É isso: uma jornalista experiente e que olha a política com atenção e interesse não pode deixar de dizer que a política é o reinado da insegurança. Pense no filme Gladiador.
No início, o protagonista é o favorito do Império, no dia seguinte está lutando pela vida numa jaula de leões. O poder não é brinquedo. É luta e resistência. Outra coisa: Não estamos em nenhum espaço seguro. Tudo pode mudar o tempo todo.
O mundo seguro é da matemática, onde dois mais dois sempre são quatro. Na política não é. Na vida também não. Devemos ter crença na política? Sempre. Temos de reforçar o otimismo, principalmente em janeiro mês propício à renovação. A política tem altos e baixos, mas ano de eleições é tempo de grandeza, amor e gratidão. Agradecer o bem que recebemos é retribuir um pouco pelo bem que nos foi feito. É isso. Nunca se esqueça que nosso repouso é a batalha. E que o amor é o único assunto da vida humana. Tudo se resume ao amor, sua presença ou sua ausência. É o que importa.
*Vanda Célia é jornalista em Brasília, onde trabalhou no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Jornal da Tarde e Revista Época. Atualmente, faz assessoria de imprensa.
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