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Horta em casa: como transformar pequenos espaços em áreas produtivas

Hortas domésticas ganham espaços em casas e apartamentos ao unir alimentação saudável, praticidade e aproveitamento inteligente do ambiente

Horta na cozinha precisa ser planejada por conta do calor do fogão  -  (crédito: Reprodução/Instagram (@triadearqeurb))
Horta na cozinha precisa ser planejada por conta do calor do fogão - (crédito: Reprodução/Instagram (@triadearqeurb))

Cultivar uma horta em casa ou no apartamento tem se consolidado como uma solução prática para quem busca mais saúde no dia a dia, sem complicação. Ter temperos, ervas e hortaliças frescas ao alcance das mãos garante alimentos livres de agrotóxicos, mais nutritivos e colhidos no ponto certo de consumo — um cuidado que começa no plantio e chega direto ao prato, impactando positivamente a alimentação e o bem-estar.

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Mais do que tendência, a horta doméstica reflete um novo olhar sobre consumo, sustentabilidade e qualidade de vida. Com poucos metros quadrados, criatividade e informação, é possível transformar varandas, cozinhas e áreas de serviço em pequenos espaços produtivos, adaptados à luz, ao clima e ao ritmo de cada morador. 

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Além dos benefícios nutricionais, a horta doméstica também se destaca pela facilidade de adaptação à rotina urbana. Mesmo em espaços reduzidos, o resultado aparece no bolso e no aproveitamento do espaço: menos desperdício, economia nas compras e a prova de que produzir em casa é simples, acessível e possível mesmo em poucos metros quadrados.

Espaço e circulação 

Para muitos, o impedimento principal é o espaço, ou no caso, a falta dele. Seja qual for o formato, uma horta vai exigir uma determinada área, e dependendo do local, pode até prejudicar a circulação do lar. Contudo, a designer de interiores Aline Silva explica que, quando bem utilizado, o ambiente se torna um detalhe mínimo, mesmo em apartamentos pequenos. 

Ela conta que o segredo é integrar a horta ao projeto, aproveitando espaços verticais, como paredes, laterais de armários, prateleiras rasas e áreas próximas às janelas, usando também vasos suspensos ou modulares. "Quando a horta é pensada como parte do design e não como um elemento improvisado, deixa de ocupar espaço e passa a qualificar o ambiente", diz. 

A designer recomenda os painéis com vasos encaixados, prateleiras rasas perto da janela e suportes modulares, que são"escadinhas". Os vasos suspensos são uma boa solução para quem prefere manter o chão livre e a horta vira parte da decoração. 

Para quem mora de aluguel e não pode furar as paredes, também existem soluções, como é o caso de estantes mais leves, hortas portáteis, encaixes em janelas e até ganchos adesivos. O mais importante é pensar em algo fácil de montar e de remover depois, sem deixar marcas.

A cozinha costuma ser o local mais desejado para a horta, pela praticidade no uso diário, mas exige alguns cuidados. Segundo a designer de interiores Rebeca Abner, o calor do fogão e a gordura liberada durante o preparo dos alimentos podem prejudicar as plantas. "O ideal é manter a horta perto de uma janela bem iluminada e, sempre que possível, a pelo menos um metro e meio do fogão", orienta.

Hortas suspensas são uma boa solução para quem não pode furar as paredes
Hortas suspensas são uma boa solução para quem não pode furar as paredes (foto: Reprodução/Instagram (@triadearqeurb))

Manutenção e limpeza 

Para que a horta funcione de verdade dentro de casa, não basta plantar: é preciso que a manutenção seja simples e compatível com a rotina. Rebeca reforça que a organização dos vasos faz toda a diferença tanto na limpeza quanto no cuidado com as plantas.

"A melhor solução é tirar os vasos do fluxo direto do piso", explica. Prateleiras, estantes e mesas de apoio ajudam a manter tudo acessível para regar e podar, além de facilitarem a limpeza do chão. Quando os vasos precisam ficar no piso, suportes com rodinhas resolvem dois problemas de uma vez: permitem movimentar as plantas conforme a luz do dia e facilitam a faxina do ambiente.

Outro ponto de atenção é a sujeira causada pela terra e pelo excesso de água. Para evitar respingos, a designer recomenda cobrir a superfície do vaso com materiais como casca de pinus, argila expandida ou pedriscos. Além de funcionais, esses acabamentos deixam a horta visualmente mais organizada. No fundo do vaso, o uso de manta de drenagem ajuda a filtrar a água, evitando aquele escorrimento barrento que costuma manchar pisos e móveis. Para quem busca praticidade máxima, os vasos autoirrigáveis surgem como aliados. "Eles reduzem a bagunça, dispensam o pratinho e ajudam a manter a umidade mais equilibrada", diz Rebeca.

Horta na cozinha precisa ser planejada por conta do calor do fogão
Horta na cozinha precisa ser planejada por conta do calor do fogão (foto: Reprodução/Instagram (@triadearqeurb))

Luz, água e escolhas certas

Se o espaço deixa de ser um problema quando bem planejado, outros fatores passam a ser decisivos para o sucesso da horta doméstica. Segundo o engenheiro-agrônomo Rogério Viana, gerente do programa de Agricultura Urbana da Emater-DF, um dos erros mais comuns de quem começa é subestimar as necessidades básicas das plantas, principalmente em relação ao tamanho do vaso e à incidência de luz.

"O volume de solo é fundamental. Quanto menor o vaso, mais difícil é o cultivo e maior a chance de erros, principalmente na irrigação. Em recipientes pequenos, é comum errar tanto pelo excesso quanto pela falta de água", diz. A luz também costuma ser mal calculada. Hortaliças e ervas cultivadas atualmente foram selecionadas para alta produtividade e precisam, no mínimo, de cinco horas de sol direto por dia.

"Muita gente acha que a luz indireta é suficiente, mas, na prática, isso torna o cultivo mais lento e menos produtivo", afirma Viana. Ele alerta, ainda, para a combinação perigosa entre sol intenso, falta de água e vento excessivo, que pode triplicar o consumo hídrico das plantas.

Quando o apartamento não oferece essa condição ideal, a iluminação artificial surge como aliada. Lâmpadas de LED específicas para as plantas funcionam como complemento ao sol natural e ajudam a manter a horta viável mesmo em janelas de face sul ou ambientes mais fechados.

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Pequenos vasos são soluções praticas (foto: Reprodução/ imaginarium)

Terra e drenagem 

Outro ponto-chave para quem cultiva em vasos é o preparo correto do substrato. Não se trata apenas de "encher o vaso de terra", mas de criar um ambiente equilibrado para as raízes. As orientações técnicas da Emater-DF indicam misturas simples, feitas com terra, composto orgânico e húmus de minhoca, capazes de sustentar todo o ciclo da planta sem necessidade de adubações frequentes.

A drenagem também merece atenção especial. Uma camada de material drenante — como argila expandida ou brita — separada da terra por manta, capim seco ou folhas picadas evita o encharcamento e protege as raízes. "O objetivo é manter o solo sempre úmido, mas nunca encharcado", resume Viana.

Quando essa base é bem feita, o cultivo se torna mais simples e previsível, inclusive para quem não quer usar fertilizantes químicos. Em vasos, a adubação inicial bem planejada costuma ser suficiente até o fim do ciclo da planta. Quando há perda de vigor, a recomendação é trocar o substrato, que ainda pode ser reaproveitado em jardins.

Mesmo em ambientes internos, pragas como pulgões podem aparecer. Sempre que possível, a orientação é apostar na remoção manual. Em casos mais difíceis, soluções caseiras, como a calda de fumo, podem ser usadas com cautela. "Ela é eficiente, mas elimina todos os insetos, inclusive os benéficos. Por isso, deve ser o último recurso", alerta o agrônomo.

Saber o momento da colheita também faz diferença para manter a produção ativa. Em hortaliças folhosas e ervas, a colheita frequente estimula novos brotos. Mais do que regras rígidas, entram em cena a observação e o gosto pessoal — colher no ponto certo é parte do aprendizado.

Para quem está começando, espécies de ciclo curto são as mais indicadas. Folhosas como alface, rúcula e ervas aromáticas costumam ser mais tolerantes a erros. Já o tomate, apesar de popular, está entre os cultivos mais exigentes e menos recomendados para iniciantes.

Pra quem conta com mais espaço, caixotes po9dem ser uma boa opção
Pra quem conta com mais espaço, caixotes podem ser uma boa opção (foto: Reprodução/ Cataguá Construtora)

Estagiária sob a supervisão de Eduardo Fernandes*

  • Hortas suspensas são uma boa solução para quem não pode furar as paredes
    Hortas suspensas são uma boa solução para quem não pode furar as paredes Foto: Reprodução/Instagram (@triadearqeurb)
  • Caixotes e paletes podem ser reutilizados
    Caixotes e paletes podem ser reutilizados Foto: Reprodução/Instagram (@triadearqeurb) (@
  • Pequenos vasos são soluções praticas
    Pequenos vasos são soluções praticas Foto: Reprodução/ imaginarium
  • Pra quem conta com mais espaço, caixotes podem ser uma boa opção
    Pra quem conta com mais espaço, caixotes podem ser uma boa opção Foto: Reprodução/ Cataguá Construtora
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postado em 15/02/2026 06:00 / atualizado em 15/02/2026 06:00
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