
Entre panelas, folhas, raízes e gestos que atravessam gerações, a cozinha de terreiro se revela muito mais do que um espaço de preparo de alimentos: é território de memória, cuidado e transmissão de saberes. Entre os dias 2 e 5 de março, às 21h, uma série de lives convida o público a conhecer os saberes que habitam esse espaço sagrado, a partir do livro “Onde mora o axé: saberes da cozinha de terreiro”, da nutricionista e candomblecista Bárbara Ramos Félix - Kilambô.
Inédita em Brasília, a iniciativa propõe uma imersão nos conhecimentos reunindo mulheres nas tradições de matriz africana para dialogar sobre afeto, aprendizado, saúde e ancestralidade.
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A publicação é resultado do projeto “Alimentos no Candomblé: fundamentos cosmológicos, importância ritual e valores nutricionais", coordenado pela mametu (mãe de santo) Fabiana de Cássia Militão Ramos. A obra é resultado de uma ampla pesquisa de campo realizada em dez terreiros do Distrito Federal e Entorno, onde especialistas em cozinha de santo compartilharam práticas, significados e modos de fazer.
O e-book de 250 páginas é ilustrado com fotografias e dividido em duas partes. Na primeira, a autora aborda o desenvolvimento das diversas linhas do Candomblé no Brasil. Na segunda, fala sobre os orixás, suas características, suas comidas preferidas e a maneira certa de prepará-las — incluindo uma série de receitas para cada divindade.
Entre as receitas reunidas estão:
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Repolho-roxo com bola de batata-doce, ofertado a Zumbá (Nanã)
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Amendoim com pimenta, para Pambu Njila (Exu)
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Cará com mariwó e canjica, dedicado a Nkossi (Ogum)
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Farofa de dendê com chicória, mostarda e ovos de codorna, para Ndandalunda (Oxum)
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Arroz-doce com mel, associado a Kaiá (Iemanjá)
Um dos pilares dos terreiros de Candomblé são as oferendas rituais de alimentos, popularmente conhecidas como “comidas de santo”. Seu significado ritual e modo de preparo foram mantidos vivos ao longo de quase 500 anos, de geração em geração, pela oralidade. “Na cozinha, ensina-se e aprende-se com o tempo, com o corpo e com a escuta. É ali que se acolhe quem chega, que se cuida do coletivo e que se mantém viva uma tradição passada de geração em geração pela oralidade. Queremos compartilhar esse aprendizado com o maior número de pessoas possível”, afirma Bárbara Ramos Félix.
Patrimônio cultural
O terreiro de Candomblé é um “espaço que congrega características comuns, como a manutenção das tradições afro-brasileiras, o respeito aos ancestrais, os valores de generosidade e solidariedade, o conceito amplo de família e uma relação próxima com o meio ambiente. São comunidades com uma cultura diferenciada e uma organização social própria, que constituem patrimônio cultural afro-brasileiro”, conforme definição do Ministério da Cidadania.
A série de lives é um convite à escuta, ao respeito e à valorização dos saberes afro-brasileiros, celebrando a cozinha de terreiro como coração pulsante da vida, da cultura e do axé. O projeto é patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC/DF).
A série de encontros virtuais, transmitida pelos perfis @barbarafelix.nutri e @canzuaogumeiansa, convida o público a enxergar a cozinha de terreiro para além do fogão: como um lugar onde se constroem vínculos, se fortalecem identidades e se mantém vivo o axé.
Programação das lives:
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02/03 – Bárbara Ramos Félix abre a série com o tema “A cozinha de terreiro como espaço de axé, memória e cuidado”;
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03/03 – Magnólia Ramos (Mametu Guanã) aborda “Como tudo começa no terreiro: Saúde, alimentação e cuidado coletivo”;
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04/03 – Luana – Mikalunde (Muzenza) discute “Acolhimento no terreiro e aprendizado na cozinha”;
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05/03 – Beatriz Ramos (Mametu Rifula Lundaonã) encerra com “A cozinha como escola: ensinar, aprender e transmitir”.
Horário: 21h
Onde assistir: nas contas do Instagram @barbarafelix.nutri ou @canzuaogumeiansa
O livro está disponível gratuitamente em formato digital no site: https://alimentosnocandomble.com.br/
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