Com espaços cada vez menores e rotinas mais dinâmicas, os móveis multifuncionais deixaram de ser apenas uma tendência de design para se tornar uma resposta prática ao modo como as pessoas vivem hoje. Em apartamentos compactos, estúdios e até em casas maiores que buscam mais organização, essas peças ajudam a transformar o espaço sem necessariamente ampliar a área construída.
Para a arquiteta e professora de design do objeto da Faculdade Luciano Feijão Nadine Siqueira, o cenário atual tornou essas soluções quase indispensáveis. "Com a realidade de moradias cada vez mais compactas, os móveis multifuncionais deixam de ser uma tendência e passam a ser uma necessidade. Mais do que otimizar o espaço, eles contribuem para uma forma de morar mais inteligente e adaptável", afirma. Como docente, ela reforça que o bom design não é apenas estético, mas precisa responder a problemas reais do cotidiano.
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Embora sejam frequentemente associados à economia de espaço, os móveis multifuncionais impactam diretamente a rotina. Segundo Nadine, ao integrar funções, um único elemento resolve múltiplas necessidades e evita que vários móveis ocupem áreas distintas. "Eles exploram espaços que normalmente seriam subutilizados e geram mais praticidade no dia a dia."
A designer de interiores Aline Silva, da InteriorAS Design, concorda. Para ela, essas peças fazem com que o espaço trabalhe a favor da rotina — e não o contrário. "Ao concentrar funções, reduzem deslocamentos, evitam improvisos e ajudam o morador a usar melhor o tempo e o ambiente. O resultado é um espaço mais fluido, organizado e coerente com a dinâmica da casa."
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Onde fazem mais diferença?
Ambas as especialistas concordam quando o assunto são os móveis de uso cotidiano. Sofás, camas, mesas, bancadas e marcenaria sob medida são apontados como peças estratégicas. "Eles fazem mais diferença em móveis que ocupam áreas centrais da casa", explica Nadine, destacando cozinhas, salas integradas e quartos pequenos.
Aline acrescenta que ambientes de uso intenso, como salas, cozinhas, quartos e home offices, são os que mais se beneficiam. "São espaços que precisam se adaptar a diferentes momentos do dia. Quando contam com móveis multifuncionais, conseguem atender essas mudanças com mais praticidade, sem perder conforto nem organização."
Na prática, um sofá-cama eficiente deve ser confortável tanto como sofá quanto como cama. Uma cama com espaço de armazenamento pode substituir cômodas extras. Um painel de sala com rack integrado e armários de apoio organiza eletrônicos, esconde fios e ainda delimita o ambiente, tudo em uma única peça.
Economia e adaptação
Outro ponto importante é o financeiro. Ao reunir duas ou mais funções em um único móvel, evita-se a compra de várias peças separadas. "É um investimento mais consciente, que traz economia a médio e longo prazo", afirma Aline. Além disso, um projeto bem pensado reduz retrabalhos e compras por impulso.
Nadine reforça que essa lógica faz sentido especialmente quando o morador pensa no uso contínuo da casa. Um móvel versátil acompanha mudanças na rotina sem exigir reformas constantes. Adaptar o que já existe também é uma alternativa viável e sustentável. Pequenas intervenções podem transformar completamente um móvel existente. Com ajustes simples, como adicionar nichos, gavetas ou novas funções, incluir rodízios, dobradiças, módulos de armazenamento ou adaptar alturas e usos são soluções acessíveis que ampliam funções.
"Como docente, incentivo muito esse olhar criativo e consciente sobre o que já temos", diz Nadine. "Além de ser mais sustentável, essa adaptação ajuda a aproveitar melhor o que já existe, trazendo funcionalidade sem a necessidade de trocar tudo", complementa Aline
Antes de comprar
Se por um lado essas peças oferecem inúmeras vantagens, por outro exigem atenção na escolha. O erro mais comum, é priorizar apenas a estética ou a "função extra" e esquecer o uso diário. "O principal é pensar na ergonomia, na facilidade de uso e na durabilidade", orienta Nadine. No dia a dia, o móvel precisa ser intuitivo; se exige esforço excessivo para abrir ou transformar, tende a ser deixado de lado.
A solução para manter o equilíbrio está em entender que funcionalidade não pode comprometer o conforto. Na prática, isso significa que o móvel precisa desempenhar bem todas as suas funções. "Móvel multifuncional deve ser intuitivo, confortável, resistente e adequado ao espaço e ao usuário. Mais do que acumular funções, ele precisa fazer isso com qualidade", diz Nadine.
Aline diz que é preciso pensar, primeiro, nas pessoas, e depois no móvel. "A funcionalidade precisa facilitar a rotina, não tornar o uso mais rígido. Quando o projeto respeita conforto, ergonomia e proporções, o móvel cumpre várias funções de forma natural, sem perder a sensação de acolhimento".
A designer dá um exemplo prático: um sofá-cama que exige afastar outros móveis, retirar muitas almofadas ou fazer força para abrir deixa de ser funcional. "O móvel precisa se adaptar à rotina da casa, e não o contrário."
Medidas corretas, circulação livre, materiais adequados e desenho simples são fatores determinantes. Um móvel multifuncional eficiente, segundo Aline, reúne cinco características essenciais:
1.Uso intuitivo : Ele precisa ser fácil de usar. Se exige esforço, força ou muitas etapas, deixa de ser eficiente.
2.Resposta à rotina real : O móvel deve atender hábitos cotidianos, e não apenas uma ideia bonita de projeto.
3.Conforto preservado: Mesmo acumulando funções, conforto e ergonomia não podem ser sacrificados.
4.Boa relação com o espaço: Medidas corretas e circulação livre fazem o móvel funcionar melhor no ambiente.
5.Durabilidade: Materiais e execução precisam acompanhar o uso constante ao longo do tempo.
Por onde começar?
Para quem quer transformar a casa sem grandes intervenções, algumas peças são estratégicas. Nadine aponta o sofá-cama ou a cama com armazenamento como escolhas de alto impacto em espaços pequenos, por permitirem que um mesmo ambiente tenha diferentes usos ao longo do dia.
Aline sugere investir em uma boa marcenaria multifuncional como ponto de partida. Um painel de sala com rack integrado e armários de apoio, por exemplo, organiza eletrônicos, esconde fios, cria espaço de armazenamento, delimita e amplia a sensação de ordem logo de início. "Quando a primeira escolha é bem pensada, ela acaba orientando todo o restante do projeto e traz uma sensação imediata de organização e conforto", resume.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
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