
Neste mês, a campanha Março Azul-Marinho chama a atenção da sociedade para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de cólon e reto, também conhecido como câncer colorretal. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, excluindo o de pele não melanoma. A condição responde por 10,4% de todos os novos casos previstos para o triênio 2026-2028.
As estimativas apontam para cerca de 781 mil novos casos anuais de câncer no país. Ao desconsiderar o câncer de pele não melanoma, de alta incidência e baixa letalidade, o número chega a 518 mil diagnósticos por ano. Aplicando o percentual referente ao câncer colorretal, o Brasil deverá registrar aproximadamente 53,8 mil a 54 mil novos casos anuais da doença. A distribuição é praticamente equilibrada entre homens (49,4%) e mulheres (50,6%).
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Impacto da atividade física no tratamento
Em meio a esse cenário preocupante, um estudo internacional de grande escala traz evidências animadoras sobre o impacto da atividade física como parte do tratamento oncológico. Publicado no New England Journal of Medicine, a pesquisa acompanhou 889 pacientes com câncer de cólon durante 17 anos em seis países, incluindo Canadá e Austrália.
Os pacientes, todos já submetidos a cirurgia e quimioterapia, foram divididos em dois grupos: um recebeu orientação e supervisão em um programa estruturado de exercícios por três anos, enquanto o outro teve acesso apenas a materiais educativos sobre nutrição e atividade física.
Os resultados foram expressivos. O grupo que realizou exercícios supervisionados apresentou uma redução de 37% no risco de morte por todas as causas e uma sobrevida geral de 90% após oito anos, comparada a 83% no grupo controle.
Prevenção do câncer colorretal
O oncologista da Afya Montes Claros, Dr. Levindo Tadeu, explica que a prevenção primária, que tem como objetivo evitar o surgimento do câncer por meio da redução dos fatores de risco, é fundamental e pode prevenir até um terço dos casos de câncer de cólon.
“É importante evitar o consumo excessivo de álcool, carnes vermelhas e processadas, bem como reduzir a ingestão de alimentos ultraprocessados. A prática regular de atividade física, o controle do peso corporal e uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes também são fundamentais”, afirma.

Sinais de alerta para o câncer colorretal
O oncologista ressalta que consultas preventivas e atenção aos sinais de alerta, como alterações persistentes no funcionamento intestinal, presença de sangue nas fezes ou perda de peso sem causa aparente, contribuem para o diagnóstico precoce e melhoram significativamente as chances de sucesso no tratamento.
Atividades físicas contra o câncer de cólon
O estudo divulgado no New England Journal of Medicine reforça que o combate ao câncer colorretal não se limita ao tratamento clínico, mas deve envolver estratégias integradas e contínuas de cuidado, com foco não apenas na sobrevivência, mas também na qualidade de vida dos pacientes.
O fisiologista da Afya Itajubá, Dr. Rodolfo Faria, informa três modelos de atividades físicas eficazes contra o câncer de cólon. Confira!
1. Exercícios aeróbicos contínuos de intensidade moderada
Caminhada rápida, ciclismo leve ou natação são os que apresentam a evidência clínica mais consistente em sobreviventes de câncer de cólon. Fisiologicamente, eles aumentam o débito cardíaco e o cisalhamento endotelial, melhoram a sensibilidade à insulina e a captação de glicose pelo músculo, além de modular a inflamação sistêmica por meio da liberação de mioquinas.
2. Treinamento combinado
Associar exercícios aeróbicos e de resistência (musculação) potencializa ainda mais os benefícios. O componente resistido aumenta a massa e a força muscular, funcionando como um “sumidouro” de glicose, reduz a gordura visceral e atenua a sinalização inflamatória crônica. Em cânceres sólidos, esse tipo de programa melhora a qualidade de vida, reduz a fadiga e otimiza marcadores metabólicos e inflamatórios.
3. Treino intervalado de alta intensidade (HIIT)
Promove ganhos cardiorrespiratórios expressivos em menos tempo e, em estudos experimentais, o soro colhido após sessões de HIIT mostrou reduzir a viabilidade de células de câncer de cólon em modelos in vitro, possivelmente devido a alterações agudas no perfil de citocinas e hormônios circulantes.
“O exercício físico é uma ferramenta poderosa na jornada contra o câncer de cólon não apenas durante o tratamento, mas também na prevenção e na recuperação. Manter o corpo ativo ajuda a controlar a inflamação, melhorar o metabolismo e fortalecer o sistema imunológico. Mais do que números ou protocolos, trata-se de cuidar do corpo de forma contínua e consciente”, complementa o fisiologista da Afya.
Por Matheus Garcia
