A moda voltou a ocupar o centro do espetáculo com a divulgação de O diabo veste Prada 2. Antes mesmo da estreia, marcada para 30 de abril no Brasil, o elenco transformou tapetes vermelhos e aparições públicas em verdadeiras passarelas globais, reafirmando o impacto cultural da franquia duas décadas após o primeiro filme.
A turnê promocional começou em grande estilo na Cidade do México. Meryl Streep surgiu com um conjunto vermelho da Dolce & Gabbana, enquanto Anne Hathaway apostou em um vestido com franjas da Schiaparelli, marcado por um cinto dourado escultural. Já em um programa de TV nos Estados Unidos, Streep revisitou um dos símbolos do filme original ao usar um suéter azul cerúleo, cor eternizada na famosa fala de Miranda Priestly.
Ao longo da divulgação, os looks seguiram reforçando essa narrativa entre moda e personagem. Em Tóquio, Streep apareceu com peças da nova fase da Chanel sob direção criativa de Matthieu Blazy, enquanto Hathaway investiu na alta-costura da Valentino. Em Seul, o vermelho voltou a dominar. Streep escolheu um conjunto da Prada, em um aceno direto ao título do filme, e Hathaway vestiu um look de couro da Balenciaga.
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A estratégia de styling também chama atenção. Hathaway foi acompanhada por Erin Walsh, conhecida por vestir artistas como Selena Gomez, enquanto Micaela Erlanger assinou produções de Streep, incluindo a escolha de um modelo da marca do brasileiro Alexandre Birman para uma pré-estreia em Xangai, evidenciando o diálogo entre o filme e a moda global.
O ponto alto dessa fase foi a première mundial, realizada no Lincoln Center, em Nova York. No evento, Hathaway apostou em um vestido vermelho volumoso da Louis Vuitton, enquanto Streep surgiu com um impactante modelo capa da Givenchy, assinado por Sarah Burton. Já Emily Blunt brilhou com um look couture da Schiaparelli, com corpete dourado estruturado e saia de tule em camadas.
Mais do que escolhas estéticas, esses visuais fazem parte de uma estratégia conhecida como method dressing, em que o figurino das atrizes dialoga diretamente com seus personagens. A prática reforça a narrativa do filme e amplia seu alcance nas redes sociais, transformando cada aparição pública em extensão da história.
Segundo a figurinista Cláudia Wiltgen, os looks vão além da tendência. "Os figurinos divulgados de O diabo veste Prada sempre foram uma ferramenta narrativa. Agora, no O diabo veste Prada 2, não estão só 'seguindo tendência', eles funcionam quase como um resumo muito consciente do momento atual da moda. A combinação de sobreposições e alfaiataria revela direções claras, com uma linguagem de poder menos rígida e mais experimental."
Cláudia também destaca a evolução da protagonista. "Andy Sachs, mais madura, aparece alinhada com peças fluidas ou casuais. Acredito num equilíbrio entre estrutura e conforto, menos 'montada', uma profissional criativa contemporânea, mais segura de si, mais orgânica", afirma.
Para Wiltgen, o impacto vai além da tela. "A escolha de roupas pelas atrizes durante a divulgação tornou se uma estratégia de marketing poderosa. O público consome o universo do personagem, não só o filme", ressalta.
Figurino no filme
Dentro da narrativa, O diabo veste Prada 2 mantém o figurino como elemento central. A história acompanha o retorno de Andy Sachs à revista Runway, agora em crise, e seu reencontro com Miranda Priestly e Emily Charlton, em um cenário que reflete as transformações da indústria editorial.
Os looks apresentados até agora indicam algumas direções marcantes, como sobreposições que criam profundidade visual, produções monocromáticas que reforçam sofisticação contemporânea e a presença constante da alfaiataria em versões mais amplas e desconstruídas, como os blazers oversized. Conjuntos coordenados e pontos de cor, especialmente o vermelho, aparecem como elementos chave na construção estética.
Wiltgen resume essa abordagem ao afirmar que "o figurino monocromático é uma sofisticação contemporânea, que junto com texturas deixa tudo mais leve, prático e elegante", enquanto acessórios funcionais refletem uma mulher moderna que equilibra estética e praticidade.
A diretora de arte Maíra Carvalho reforça que nada é pensado isoladamente. "A paleta de cores é definida em função do filme como um todo. Os figurinos estão inseridos dentro de um ambiente e precisam dialogar com os cenários para funcionar na narrativa", explica.
Ela também destaca o papel de Nova York como cenário simbólico. "É uma cidade cosmopolita e muito atual, então os looks acompanham essa contemporaneidade. Eles estão sempre à frente, norteando tendências."
Mais do que vestir personagens, o filme constrói um verdadeiro editorial em movimento. "Cada sequência é um editorial de moda e você vê como a personalidade de cada personagem está colocada ali. Existe também uma tentativa de representar algo que eles precisam ser. Nesse universo, você não vende só o seu trabalho, você vende também como se apresenta esteticamente no mundo", acrescenta.
