Beleza

Blush de transição: entenda a tendência que divide opiniões

Produto internacional, lançado como algo inovador, viralizou nas redes sociais, mas especialistas afirmam que o efeito pode ser reproduzido com itens que já estão na nécessaire

Maquiagem feita com o blush de transição de Patrick Ta  -  (crédito: Divulgação )
Maquiagem feita com o blush de transição de Patrick Ta - (crédito: Divulgação )

O universo da beleza ganhou uma nova polêmica nas últimas semanas com o lançamento do chamado blush de transição, criado pelo maquiador das celebridades Patrick Ta. O produto foi apresentado como uma solução para criar um degradê suave entre o corretivo e o blush tradicional, garantindo um acabamento mais natural e harmonioso na maquiagem.

O lançamento rapidamente chamou a atenção nas redes sociais, mas também levantou debates sobre originalidade, consumo e a real necessidade de um produto específico para alcançar esse efeito.

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Para a maquiadora Jade Sifre, a proposta está mais próxima de uma releitura de técnicas já conhecidas pelos profissionais do que de uma inovação revolucionária. "Não é exatamente uma nova técnica, mas, sim, uma forma mais estruturada e popularizada de aplicar princípios clássicos de colorimetria e esfumado", explica.

Na prática, o efeito consiste em aplicar um tom intermediário entre a área iluminada pelo corretivo e o blush principal, criando uma transição suave entre as cores. "Basicamente, aplica-se um tom rosado mais claro entre a região iluminada pelo corretivo e a área colorida pelo blush mais intenso, formando um degradê mais natural", detalha Jade.

A discussão também envolve a autoria das tendências. Para Nikky Dias, maquiadora da Lord Perfumaria, o mercado da beleza sempre foi construído por referências compartilhadas. "O universo da beleza é historicamente construído por meio de releituras e adaptações de técnicas já existentes. Muitas tendências ganham visibilidade quando são amplificadas por maquiadores, criadores de conteúdo e marcas, mas raramente surgem de forma completamente inédita", afirma.

Segundo ela, a discussão sobre autoria é importante porque valoriza o trabalho criativo, mas é preciso reconhecer o caráter colaborativo da evolução da maquiagem.

É preciso comprar o produto?

Apesar do sucesso do lançamento, as especialistas concordam que o efeito não depende, necessariamente, do produto desenvolvido pelo norte-americano Patrick Ta, famoso por criar makes marcantes no tapete vermelho. "Na maioria dos casos, esse visual pode ser reproduzido com produtos que a pessoa já tem em casa. O chamado blush de transição é muito mais uma técnica de aplicação e esfumado do que uma tendência dependente de um produto específico", afirma Jade.

Corretivo, blush cremoso ou líquido, uma esponja e até mesmo um batom cremoso em tons rosados ou pêssego podem cumprir a mesma função.

Nikky acredita que o debate revela um comportamento comum da indústria da beleza. "Existe um pouco dos dois fenômenos. O mercado busca apresentar novidades que despertem interesse e estimulem o consumo, mas alguns lançamentos oferecem praticidade real ao consumidor. O desafio está em diferenciar uma conveniência genuína de uma estratégia puramente comercial", analisa.

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Para quem funciona?

A técnica pode ser adaptada para diferentes tipos de pele e estilos de maquiagem. Segundo Jade, peles maduras costumam se beneficiar do acabamento mais suave, já que a transição de cores evita marcações evidentes e proporciona um aspecto mais fresco. Peles secas e normais também tendem a apresentar um resultado mais natural, enquanto peles oleosas exigem uma boa selagem para manter o efeito ao longo do dia.

Já para quem prefere uma maquiagem discreta, Nikky afirma que a tendência pode ser incorporada sem exageros. "Em vez de utilizar contrastes marcantes, a pessoa pode optar por duas tonalidades próximas entre si, como um pêssego suave combinado a um rosa delicado. O resultado é uma aparência mais natural, com maior dimensão e frescor na pele", explica.

Entre as combinações recomendadas pela especialista estão rosa-claro e rosa-queimado, pêssego e coral, nude rosado e terracota suave, além de tons mais profundos, como malva e ameixa.

Os erros mais comuns

Embora pareça simples, a técnica exige alguns cuidados. De acordo com Jade, um dos principais erros é aplicar produto em excesso logo no início. "É mais fácil construir intensidade do que remover o excesso", alerta.

Outro equívoco frequente é não respeitar a ordem de aplicação. O correto é posicionar o corretivo mais próximo da área dos olhos, o blush de transição ao lado e o blush principal na região mais externa das maçãs do rosto.

Além disso, esfumar com muita força ou esperar demais para misturar os produtos pode comprometer o resultado, criando manchas ou cores sem definição.

 

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postado em 28/06/2026 06:00
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