
O inverno de 2026 chega com uma proposta que vai além das tendências passageiras. Em vez de um guarda-roupa renovado a cada estação, a moda aposta em peças versáteis, de qualidade e que reflitam a identidade de quem as veste. Casacos oversized, tricôs, alfaiataria ampla, tons terrosos, vinho, camurça e botas robustas aparecem entre os destaques da temporada, enquanto o consumidor demonstra um interesse crescente por escolhas mais duradouras.
Para a consultora de imagem e estilo e psicóloga Dri Pedrosa, o inverno reforça um movimento de equilíbrio entre informação de moda e autenticidade. Os casacos oversized continuam entre os protagonistas da estação, mas, segundo a especialista, o segredo está na composição do visual.
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"O segredo não está em evitar o oversized, mas em equilibrar as proporções. Quando a parte de cima tem mais volume, uma calça de corte reto, uma saia mais ajustada ou até uma bota de cano alto ajudam a criar uma silhueta harmoniosa. Outro recurso é marcar a cintura, seja com um cinto ou usando a terceira peça aberta, criando linhas verticais que alongam a imagem. Mais do que seguir uma tendência, é importante que a roupa converse com o estilo e com a estrutura corporal de quem veste."
Outra aposta da temporada são as estampas clássicas, especialmente o xadrez, que retorna em novas interpretações. "As estampas clássicas continuam sendo um excelente investimento justamente porque atravessam tendências. Para um visual sofisticado, gosto de sugerir que o xadrez seja o protagonista do look, combinado com peças lisas em uma das cores presentes na estampa. Outra possibilidade é brincar com texturas, como tricô, couro ou alfaiataria, em vez de misturar muitas estampas. Assim, o visual ganha riqueza sem excesso de informação", destaca.
Os tricôs também aparecem renovados, mas continuam sendo peças-chave para quem busca um armário funcional. "Para quem busca um guarda-roupa inteligente, vale priorizar tricôs de boa qualidade, em cores neutras ou nos tons que valorizam a coloração pessoal, com modelagens clássicas, como a gola careca, a gola alta ou o decote em V. Texturas discretas costumam permanecer atuais por mais tempo. A peça atemporal não é, necessariamente, a mais básica, mas aquela que combina facilmente com diferentes propostas e continua fazendo sentido ao longo dos anos", diz.
Nos acessórios, o maximalismo ganha espaço, desde que utilizado com equilíbrio. "Os acessórios maximalistas funcionam melhor quando têm um papel de destaque. Se o brinco é marcante, por exemplo, os demais acessórios podem ser mais discretos. O inverno favorece o uso de brincos e anéis de destaque, os colares nesse momento dão espaço para golas altas e muitas texturas. Uma outra opção de acessório interessante no inverno é ousar em bolsas modernas ou criativas, que serão marcantes no look. Mas é importante que o acessório complemente a imagem que a pessoa deseja transmitir, e não apenas siga uma tendência."
Já a pele sintética volta às vitrines como alternativa às naturais. "A pele sintética costuma aparecer em ciclos na moda, mas acredito que ela permanecerá por mais tempo devido à evolução dos materiais e à busca por alternativas mais conscientes em relação ao uso de peles naturais. Mesmo assim, dificilmente será uma peça essencial para todos os guarda-roupas. Ela tende a funcionar como uma peça de destaque para quem se identifica com essa estética, enquanto outras pessoas continuarão investindo em casacos de alfaiataria e tricôs clássicos, que oferecem maior versatilidade."
Consumo consciente
Para Dri, no entanto, a principal tendência deste inverno não está em uma peça específica. "Acredito que a principal tendência é o consumo intencional. As pessoas estão buscando roupas que unam conforto, qualidade, versatilidade e identidade. Percebo um movimento em direção a peças que possam ser usadas de diferentes formas e por várias temporadas, sem abrir mão da expressão pessoal. Depois de anos de tendências muito rápidas, o consumidor parece estar mais interessado em construir um guarda-roupa que faça sentido para sua rotina e para quem ele é", afirma.
Ela resume a proposta da temporada: "Como consultora de imagem e estilo e psicóloga, acredito que a tendência pode inspirar, mas ela só faz sentido quando fortalece a mensagem que a pessoa deseja transmitir. Elegância não está em seguir a moda, mas em fazer escolhas coerentes com a própria identidade".
A consultora de imagem Doró Mendonça destaca que as cores do inverno também ajudam a transmitir sensações. "Os tons terrosos trazem aconchego e conforto visual. Já os vinhos transmitem elegância. É uma ótima cor para substituir o preto", ressalta.
Entre os tecidos, a camurça ganha protagonismo. "A camurça tem um papel importante no inverno, pela sensação térmica, mantendo a temperatura do corpo e também por ser uma pele natural, trazendo um refinamento ao visual."
Outra forte influência da temporada é o retorno do boho chic. "O estilo carrega peças boêmias misturadas com tecidos elegantes, trazendo um ar chique ao visual despojado. Temos blusas e vestidos de seda, babados leves, camurças, acessórios com uma pegada vintage também. Além disso, as botas de montaria e country são muito usadas. O bacana para compor um styling boho suave é escolher alguns desses itens e não usá-los todos ao mesmo tempo. Por exemplo, uma bata de seda com calça de camurça apenas. Outra opção: camiseta branca, jeans e cinto e colar de medalhas. Pontuando o look com boho, o styling fica muito agradável."
Clássico revisitado
A alfaiataria continua em evidência, agora em modelagens mais amplas. "Ela pede o exercício do olhar sobre suas proporções. O ideal é evitar muitos volumes onde incomoda a pessoa."
As botas seguem como um dos principais itens da estação. Além das tradicionais de montaria e country, ganham destaque modelos de cano alto, versões com estética biker, fivelas aparentes, solados robustos e cores em tons terrosos, que aparecem nas coleções tanto para compor produções casuais quanto sofisticadas.
Sobre o uso da bota, Doró recomenda: "Um modelo até 5cm, bico levemente arredondado fica ótimo com vestidos. Combinam com looks esportivos e sociais mais informais." Ela também destaca um investimento certeiro para quem busca peças duradouras. "Uma cashmere — casaco feito de lã especial — na cor fendi (entre o bege e o cinza) são eternos e estão em alta. Uma boa hora para comprar. Fica lindo com colares em todos os metais: rosé, dourado, etc.", aconselha.
Já algumas apostas devem durar pouco tempo. "O moletom com finalização em seda e renda estão em muitas coleções e acredito que vamos cansar de vê-lo, apesar de ser um charme. É uma tendência passageira e vai virar uniforme", aposta.
Tendências do inverno 2026
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Casacos oversized
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Alfaiataria com modelagem ampla
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Tricôs com texturas
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Xadrez em novas releituras
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Tons terrosos e vinho
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Camurça
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Estilo boho chic
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Botas de cano alto
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Estética biker (fivelas e solados robustos)
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Romantismo
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Superfícies felpudas
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Nó chinês
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Trench coat

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