Comportamento

Entre vikings, moda e superação: as curiosidades de Brasil e Noruega

Brasil e Noruega se enfrentam hoje, às 17h, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, reunindo jogadores com trajetórias marcadas por livros raros, infância difícil e homenagens à família

Erling Braut Haaland, jogador mais famoso da Noruega -  (crédito:  AFP)
Erling Braut Haaland, jogador mais famoso da Noruega - (crédito: AFP)

Brasil e Noruega entram em campo neste domingo, às 17h, em um confronto que vale vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Dentro das quatro linhas estarão alguns dos principais nomes do futebol mundial, mas as histórias que carregam longe dos gramados também chamam atenção. Entre campanhas de moda, coleções de livros históricos, infância de dificuldades, homenagens familiares e hábitos inusitados, os protagonistas do duelo acumulam curiosidades que vão muito além da bola.

O principal nome da Noruega é Erling Haaland. Dono de números impressionantes no futebol europeu, o atacante construiu uma imagem que mistura força física, disciplina e uma personalidade bastante peculiar.

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Com 1,95 metro de altura e cerca de 90 quilos, Haaland é frequentemente comparado a um viking moderno. Seu estilo de jogo intimida adversários pela velocidade combinada com o porte físico, tornando-o um dos atacantes mais difíceis de ser marcado no futebol mundial.

  • Alisson Becker em campanha para a Tommy Hilfiger, label que ele se tornou embaixador
    Alisson Becker em campanha para a Tommy Hilfiger, label que ele se tornou embaixador Reprodução/Instagram
  • Igor Thiago, natural do Gama: infância difícil
    Igor Thiago, natural do Gama: infância difícil Reprodução/Instagram
  • Kristian Thorstvedt, filho  do ex-goleiro Erik Thorstvedt
    Kristian Thorstvedt, filho do ex-goleiro Erik Thorstvedt AFP
  • Jogador brasileiro Bruno Guimarães, que joga como volante e meia-armador durante a Copa do Mundo
    Jogador brasileiro Bruno Guimarães, que joga como volante e meia-armador durante a Copa do Mundo AFP
  • Lucas Paquetá, jogador convocado que atua no Flamengo
    Lucas Paquetá, jogador convocado que atua no Flamengo Getty Images via AFP
  • Alexander Sorloth, filho de Goran Sorloth
    Alexander Sorloth, filho de Goran Sorloth Getty Images via AFP

Outra curiosidade é que, na seleção norueguesa, o atacante estampa na camisa o nome "Braut Haaland". A escolha é uma forma de homenagear também o sobrenome da mãe, Gry Marita Braut, e reforçar a importância dos dois lados da família em sua trajetória.

Mas suas excentricidades vão além do campo. O norueguês revelou que pensa em futebol praticamente o tempo todo e até programou o despertador para tocar a música oficial da Liga dos Campeões. Em outra ocasião, viralizou nas redes sociais ao publicar uma foto durante um voo de sete horas afirmando ter viajado "sem celular, sem comida, sem água e sem dormir", apenas olhando o mapa da aeronave.

A rotina também chama atenção. Haaland costuma consumir aproximadamente seis mil calorias por dia para manter o condicionamento físico. Entre seus hábitos estão exercícios cortando lenha na floresta e o consumo de leite cru após alguns treinamentos.

Literatura e agente brasileira

Apesar da fama de homem forte, outro lado pouco conhecido do atacante envolve a preservação da cultura norueguesa. Em parceria com o pai, Alf-Inge Haaland, ele comprou uma raríssima edição de 1594 da obra Saga dos Reis, escrita por Snorri Sturluson, considerada um dos livros mais valiosos da história da Noruega.

Embora tenha admitido que nunca foi um grande leitor, Haaland resolveu doar a obra para a biblioteca pública de Bryne, cidade onde cresceu. A única exigência foi que o livro permanecesse exposto para inspirar estudantes locais. O exemplar também passou a integrar um projeto de incentivo à leitura nas escolas da região.

Dentro de campo, Haaland também carrega um importante legado familiar. Seu pai disputou a Copa do Mundo de 1994 pela Noruega, e agora o atacante lidera uma nova geração que devolveu o país ao Mundial após quase três décadas.

Aliás, a seleção norueguesa virou símbolo de uma curiosidade desta Copa: a presença dos chamados "nepobabies" do futebol. Além de Haaland, o elenco conta com Kristian Thorstvedt, filho do ex-goleiro Erik Thorstvedt, e Alexander Sørloth, herdeiro do ex-atacante Gøran Sørloth, todos filhos de jogadores que defenderam a Noruega na Copa de 1994. No banco de reservas, outra coincidência liga passado e presente: o atual técnico, Ståle Solbakken, foi companheiro dos pais desses jogadores na seleção norueguesa durante a Copa do Mundo de 1998.

A história do treinador também guarda um episódio impressionante. Em 2001, quando defendia o Copenhagen, Solbakken sofreu uma parada cardíaca durante um treinamento. Seu coração ficou sem bater por cerca de sete minutos até que ele fosse reanimado pelos médicos. O episódio encerrou precocemente sua carreira como jogador, mas anos depois ele retornou ao futebol como treinador e hoje comanda a seleção da Noruega.

Outro detalhe pouco conhecido sobre Haaland envolve uma brasileira. Grande parte da fortuna do atacante passa pelas mãos da advogada paulista Rafaela Pimenta, uma das agentes esportivas mais influentes do mundo.

Foi ela quem conduziu a negociação da transferência do Borussia Dortmund para o Manchester City em 2022, considerada uma das maiores da década. Pelo trabalho, Rafaela recebeu o prêmio de Melhor Transferência do Ano no Globe Soccer Awards e também foi eleita a Melhor Agente da Europa pelo prêmio Golden Boy.

Moda e experiência

Enquanto Haaland representa o presente da Noruega, Alisson Becker simboliza a experiência brasileira. Convocado para a Seleção há mais de 10 anos, o goleiro também ganhou destaque recentemente fora do futebol.

Conhecido pelo estilo discreto e elegante, Alisson tornou-se embaixador global da Tommy Hilfiger e estrelou a campanha da coleção Primavera/Verão 2026 da marca de óculos. Nas imagens, aparece usando modelos produzidos parcialmente com materiais reciclados e componentes de origem biológica, reforçando também um discurso ligado à sustentabilidade.

Histórias de resiliência

Outro brasileiro que coleciona uma trajetória de superação é Lucas Paquetá. O meia esteve muito perto de ser dispensado ainda nas categorias de base do Flamengo. Aos 15 anos, media apenas 1,53 metro e sofria com um problema de crescimento ósseo. A diferença física para os adversários fazia com que perdesse espaço e fosse deixado fora de diversas partidas.

Familiares insistiram para que o clube mantivesse o atleta. O desenvolvimento aconteceu gradualmente e, poucos anos depois, Paquetá já aparecia completamente diferente, com 1,80 metro de altura e treinando entre os profissionais.

Outra história emocionante do elenco brasileiro é a do atacante Igor Thiago. Natural do Gama, no Distrito Federal, ele começou a jogar em um projeto social da região e caminhava aproximadamente oito quilômetros para participar dos treinamentos.

A infância foi marcada por dificuldades financeiras. Após perder o pai ainda na adolescência, viu a mãe trabalhar como gari para sustentar a família. Segundo o próprio jogador, chegou a receber convites para entrar no mundo do crime e das drogas, mas escolheu seguir o sonho de ser jogador profissional.

A trajetória passou por clubes pequenos, como o Verê, no Paraná, antes de chamar atenção do Cruzeiro.

O esforço era reconhecido pelos treinadores. Igor costumava chegar antes dos treinos e permanecer sozinho no campo após o encerramento das atividades para aperfeiçoar fundamentos.

Depois, passou pelo Ludogorets, da Bulgária, conquistou títulos nacionais, brilhou no Club Brugge, da Bélgica, e acabou negociado com o Brentford por mais de R$ 200 milhões, tornando-se a contratação mais cara da história do clube inglês. Na Premier League, foi eleito o melhor jogador de um dos meses da competição, consolidando a ascensão iniciada nos campos de terra do Distrito Federal.

Outro nome da Seleção que leva uma história especial consigo é Bruno Guimarães. O volante utiliza a camisa número 39 no Newcastle como homenagem ao pai, que trabalhou durante anos como taxista utilizando justamente o carro de número 039. O gesto transformou um simples número em símbolo da relação familiar construída antes mesmo da fama internacional.

Tabu a ser quebrado

Enquanto o Brasil aposta em jogadores moldados por histórias de superação, a Noruega chega embalada por um retrospecto curioso. Apesar da tradição brasileira no futebol mundial, a Seleção jamais venceu os noruegueses. Os dois países já se enfrentaram quatro vezes ao longo da história, e a Noruega permanece como a única seleção que encarou o Brasil ao menos uma vez e nunca foi derrotada.

Agora, esse tabu estará novamente em jogo. Se para os brasileiros o objetivo é manter vivo o sonho do hexacampeonato, para os noruegueses, a partida representa mais um capítulo da geração liderada por Haaland, que devolveu o país ao protagonismo internacional.

Entre campanhas de moda, livros históricos, homenagens aos pais, caminhadas de quilômetros para treinar, dificuldades financeiras e hábitos incomuns, Brasil e Noruega mostram que as maiores histórias da Copa nem sempre são escritas apenas com gols.

 


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postado em 05/07/2026 06:00
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