Os óculos deixaram de ser apenas um recurso para corrigir a visão e passaram a ocupar um lugar de destaque na construção da imagem pessoal. Presentes no dia a dia de milhões de pessoas, eles também funcionam como um acessório capaz de transmitir diferentes características e influenciar a forma como cada indivíduo é percebido.
Segundo a consultora de imagem Luciana Queiroz, por estarem posicionados no rosto, os óculos exercem um papel importante na comunicação não verbal e influenciam diretamente a forma como uma pessoa é percebida em diferentes contextos, seja no ambiente profissional, em situações sociais ou no dia a dia. Dependendo da armação escolhida, é possível transmitir uma imagem de sofisticação, criatividade, delicadeza, modernidade ou seriedade.
Para a especialista, a escolha da armação deve ir além das tendências da moda. "Os óculos fazem parte da identidade visual de quem os usa. Quando escolhemos uma peça alinhada com quem somos, nossa imagem se torna mais harmoniosa e autêntica", afirma.
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Pontos-chave na escolha
Antes de definir um modelo, alguns fatores precisam ser levados em consideração. Entre eles estão o estilo pessoal, a mensagem que a pessoa deseja transmitir, as proporções do rosto, a coloração pessoal, além da rotina e das necessidades diárias. Luciana destaca, ainda, que conforto e funcionalidade são tão importantes quanto a estética. Segundo ela, a armação ideal é aquela que valoriza a imagem sem comprometer o bem-estar, tornando o uso dos óculos mais agradável ao longo da rotina.
Na avaliação da stylist e produtora de moda Krystie Ribeiro, a escolha da armação também deve estar alinhada ao planejamento da imagem pessoal. Segundo ela, os óculos traduzem visualmente a mensagem e a estética que cada pessoa deseja projetar, tornando-se parte importante da construção da identidade. Entretanto, a especialista ressalta que a decisão não depende apenas do estilo.
Aspectos anatômicos e técnicos também influenciam no resultado final, como o tamanho do rosto e as proporções faciais, fatores que ajudam a definir quais modelos oferecem maior equilíbrio visual. De acordo com Krystie, rostos menores costumam harmonizar melhor com armações discretas, enquanto faces maiores ou com traços mais marcantes conseguem sustentar modelos mais robustos e aros espessos sem comprometer a proporção da imagem. A prescrição oftalmológica também interfere na escolha da armação.
Equívocos constantes
Entre os erros mais frequentes, Krystie destaca a escolha de armações que não respeitam a anatomia facial. Segundo ela, quando a borda superior cobre ou divide completamente a linha das sobrancelhas, parte da comunicação não verbal é comprometida, já que essa região desempenha papel fundamental na expressão das emoções. Outro ponto de atenção é a largura da ponte, região que apoia os óculos sobre o nariz.
A especialista explica que modelos com ponte muito larga podem escorregar em narizes mais finos e criar a impressão de olhos mais afastados, enquanto pontes estreitas provocam desconforto e aproximam visualmente os olhos, conferindo uma expressão de tensão. Além disso, ela alerta que escolher uma armação apenas porque está na moda, sem considerar as características individuais, costuma resultar em arrependimento.
A cor da armação também influencia diretamente na harmonia da imagem. Para Krystie, o ideal é respeitar o contraste natural entre pele, cabelos e olhos. Pessoas de baixo contraste tendem a harmonizar melhor com armações translúcidas, tons claros ou padronagens suaves, enquanto quem possui contraste elevado pode apostar em cores intensas e aros escuros. A profissional acrescenta que a escolha das cores também pode equilibrar a expressão facial, suavizando traços mais rígidos e valorizando a beleza natural de forma sutil.
O papel do visagismo
Ao aprofundar esse processo de escolha, o visagismo amplia o olhar sobre o papel dos óculos na construção da imagem pessoal. Mais do que um acessório ou um recurso para corrigir a visão, a armação pode comunicar características da personalidade e reforçar a identidade de quem a utiliza.
Segundo a visagista especializada em óculos Karine Sousa, o visagismo é uma metodologia que busca alinhar a imagem da pessoa à mensagem que ela deseja transmitir. "Na escolha dos óculos, ele vai muito além da estética. Considera personalidade, estilo de vida e características individuais para encontrar uma armação que valorize a identidade de cada pessoa", detalha.
De acordo com ela, esse processo envolve diferentes etapas até chegar ao resultado final. Por isso, a escolha da armação não deve ser baseada apenas no gosto pessoal ou nas tendências do momento, mas também em aspectos que contribuam para uma imagem mais harmoniosa.
Cada rosto, uma decisão
Embora o formato do rosto seja um dos critérios mais conhecidos, Karine ressalta que ele representa apenas uma parte da análise realizada durante a consultoria. Além dele, são observadas as proporções faciais, o contraste pessoal, as linhas predominantes da face e a forma como cada indivíduo deseja ser percebido. "É a combinação desses elementos que torna uma escolha realmente assertiva para aquele cliente", completa.
Outro aspecto importante é compreender que a armação ideal não é necessariamente aquela que está em alta, mas a que cria equilíbrio entre os traços faciais e representa a essência da pessoa. "A armação ideal é aquela que cria equilíbrio e harmonia entre o rosto, a personalidade e o estilo da pessoa. Mais do que seguir tendências, é encontrar um modelo que valorize os pontos fortes e represente quem ela é e a mensagem que deseja transmitir", destaca.
O próprio design da armação influencia diretamente na percepção visual do rosto. Linhas, espessura, tamanho, cores e formatos podem modificar a maneira como determinadas características são percebidas. De acordo com a visagista, alguns modelos ajudam a suavizar traços mais marcantes, enquanto outros destacam determinadas regiões da face.
Por isso, cada escolha deve ser personalizada, levando em consideração o conjunto da imagem. Essa personalização também vale para diferentes tipos de óculos. Embora os modelos de grau e os de sol precisem harmonizar com a imagem da pessoa, cada um possui objetivos distintos e pode atender a necessidades específicas do dia a dia.
Karine também alerta para alguns sinais que indicam que uma armação, talvez, não seja a mais adequada. Em alguns casos, o acessório acaba chamando mais atenção do que o próprio rosto, comprometendo o equilíbrio da composição. "Quando a armação parece desconectada da pessoa, causa desconforto ou não conversa com sua identidade, é um sinal de que a escolha pode não ter sido a mais adequada", observa. Mais do que uma questão estética, encontrar a armação certa também pode provocar mudanças na forma como a pessoa se enxerga e se apresenta socialmente.
É comum, na visão da especialista, que os clientes demonstrem mais confiança e naturalidade depois de encontrar um modelo que realmente represente sua identidade. Os óculos deixam de ser vistos apenas como um recurso para enxergar melhor e passam a integrar a imagem pessoal.
Dessa forma, a escolha da armação deixa de ser apenas uma decisão baseada na aparência e passa a refletir aspectos da personalidade, do estilo de vida e da forma como cada pessoa deseja ser vista. Para Karine, quando esses elementos estão em sintonia, os óculos deixam de ser um simples acessório e se tornam uma extensão da identidade de quem os usa.
*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Fernandes
