Neurônios em dia

Uma mentira leva a outra. Como isso funciona no cérebro?

A repetição de pequenas mentiras pode reduzir os sinais de alerta do cérebro e abrir caminho para comportamentos cada vez mais desonestos, segundo estudo britânico

De acordo com estudos, a mentira é capaz de estimular as amígdalas -  (crédito: Freepik)
De acordo com estudos, a mentira é capaz de estimular as amígdalas - (crédito: Freepik)

Nosso cérebro tem um mecanismo de alarme que acende a luz vermelha quando fazemos algo de perigoso, errado ou imoral. Contar uma mentira tem o poder de disparar esse alarme, também conhecido como amígdalas das regiões temporais, e hoje entendemos parcialmente o fenômeno uma mentira leva a outra. Pesquisadores do University College of London estudou através de ressonância magnética funcional os cérebros de 80 voluntários durante um jogo em que eles tinham a possibilidade de mentir para aumentar as chances de ganhar o jogo.

Uma pequena mentira era capaz de estimular as amígdalas, e à medida que novas mentiras iam sendo contadas, as amígdalas iam ficando menos estimuladas, iam adormecendo. Com as amígdalas adormecidas, o cérebro ficaria mais encorajado a contatar mentiras mais robustas. E foi exatamente isso que os cientistas encontraram: À medida que eles iam mentindo, as amígdalas iam se apagando e as mentiras ficavam cada vez mais ousadas. Boa parte dos políticos brasileiros parece não ter amígdalas adormecidas, mas em coma.

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O presente estudo só testou o ato de desonestidade, mas o mesmo poderia ser aplicado à tomada de atitudes de risco e comportamento violento. Isso ainda precisa ser testado. A pesquisa foi publicada no prestigiado periódico Nature Neuroscience.

*Ricardo Afonso Teixeira é doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília

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RA
postado em 13/10/2026 16:53
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