A carteira de motorista no celular, ou CNH Digital, foi apenas o primeiro passo de uma transformação que deve eliminar completamente os documentos físicos do seu bolso. A tendência é que, em poucos anos, a combinação de aplicativos e biometria torne o RG, o CPF e outros cartões de plástico itens dispensáveis, centralizando toda a identificação pessoal no smartphone ou até mesmo no próprio rosto do cidadão.
Essa mudança já está em andamento no Brasil. A CNH Digital, disponível no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT), tem a mesma validade jurídica da versão impressa e é amplamente aceita em todo o território nacional. A segurança é garantida por um QR Code, que permite a validação dos dados por qualquer autoridade. Apesar da praticidade, é importante lembrar de suas limitações, como a necessidade de ter um smartphone com bateria e o bom funcionamento do aplicativo.
O sucesso do modelo abriu caminho para uma integração ainda maior. O objetivo dos governos é simplificar a vida do cidadão e combater fraudes, unificando os registros em uma base de dados única e mais confiável.
O CPF como número único
O projeto mais avançado nesse sentido é a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), que adota o número do CPF como registro geral único para todo o país. A medida acaba com a possibilidade de uma pessoa ter múltiplos números de RG, um em cada estado, o que dificulta a identificação e facilita a ocorrência de crimes.
Com a CIN, tanto a versão física quanto a digital estarão atreladas ao CPF. A implementação é gradual e não há um prazo para que todos os cidadãos troquem seus documentos. Os RGs atuais continuam válidos até a data de vencimento estipulada em lei, e a nova carteira é emitida conforme as pessoas solicitam a renovação ou uma segunda via. A meta é que, no futuro, bastará informar o CPF para ter acesso a todos os serviços públicos e privados.
O próximo passo é o fortalecimento do uso da biometria. A tendência é que dados como impressões digitais e reconhecimento facial, já coletados para a emissão de passaportes, CNHs e títulos de eleitor, se tornem a principal forma de autenticação no futuro. A projeção é que, em vez de apresentar um documento, bastará usar o rosto ou a digital para confirmar a identidade em diversas situações.
Essa tecnologia abre portas para um futuro onde será possível, por exemplo, embarcar em voos, entrar em prédios públicos ou realizar transações bancárias sem a necessidade de qualquer cartão físico. Embora algumas dessas aplicações já existam em projetos-piloto, a transição em larga escala indica que a apresentação de um documento físico tende a se tornar um procedimento obsoleto, substituído pela praticidade e segurança da identidade digital.










