O termo “evento adverso grave”, utilizado pela Anvisa para suspender temporariamente a campanha de vacinação da dengue do Butantan, pode assustar, mas faz parte dos protocolos de segurança e farmacovigilância. Ele não significa, de imediato, que o imunizante é perigoso, mas sim que uma ocorrência precisa ser investigada a fundo antes de continuar com a aplicação em massa.
Essa é uma nomenclatura técnica padrão, usada em todo o mundo para classificar situações específicas que acontecem com um paciente. Embora seja comum em fases de testes de novos medicamentos, o termo também se aplica à vigilância contínua após a aprovação e início do uso de uma vacina, como no caso atual. A notificação de um evento do tipo aciona um gatilho de segurança que paralisa o uso do produto para uma análise criteriosa.
O que a Anvisa considera um evento adverso grave?
A definição de um evento adverso grave é bastante específica e se enquadra em situações que alteram de forma significativa a saúde do paciente. De acordo com as normas da Anvisa e de agências internacionais, a classificação inclui qualquer ocorrência que resulte em:
- morte do paciente;
- ameaça imediata à vida;
- necessidade de hospitalização ou prolongamento de uma internação já existente;
- incapacidade ou invalidez persistente ou significativa;
- anomalia congênita ou defeito de nascença.
Qualquer um desses quadros, quando identificado em uma pessoa vacinada, deve ser imediatamente comunicado à agência reguladora, que determina os próximos passos. A comunicação é obrigatória, mesmo que não haja suspeita inicial de que a vacina tenha causado o problema.
Suspensão é um procedimento padrão
A suspensão do uso de uma vacina após a identificação de um evento adverso grave é uma medida de precaução. O objetivo é permitir que um comitê independente de segurança avalie se há uma relação de causa e efeito entre o imunizante e o ocorrido. Ou seja, a investigação busca responder se o problema de saúde teria acontecido de qualquer forma ou se foi desencadeado pela vacina.
Muitas vezes, a investigação conclui que o evento não tem ligação com o produto, sendo apenas uma coincidência. Apenas após essa análise detalhada o uso da vacina pode ser retomado com segurança. Esse processo é conhecido como farmacovigilância e é crucial para monitorar a segurança de medicamentos e imunizantes que já estão no mercado.
No caso da vacina da dengue do Instituto Butantan, a pausa serve exatamente para essa apuração. Um comitê analisa os dados do paciente afetado para entender o quadro clínico completo e sua possível conexão com a vacina aplicada durante a campanha de vacinação iniciada em janeiro de 2026.










