A notícia de que a Associação de Futebol Argentino (AFA) está na mira do FBI por crimes financeiros traz à memória o longo histórico de escândalos que envolvem a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade máxima do futebol brasileiro já foi protagonista de diversas investigações, que vão de comissões parlamentares a operações internacionais de combate à corrupção.
Um dos primeiros grandes abalos na imagem da CBF ocorreu no início dos anos 2000, com a instalação da “CPI do Futebol” no Congresso Nacional. A investigação apurou irregularidades em contratos de patrocínio e direitos de transmissão, além de suspeitas de evasão fiscal. O relatório final pediu o indiciamento de dirigentes, incluindo o então presidente Ricardo Teixeira.
Anos depois, o cenário se tornou ainda mais grave com o escândalo conhecido como “Fifagate”, deflagrado em 2015 pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A operação investigou um esquema de corrupção sistêmica na Fifa e em confederações associadas, atingindo diretamente o futebol brasileiro.
Prisões e banimento no Fifagate
O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi preso em um hotel de luxo na Suíça durante a operação. Anos depois, ele foi condenado pela justiça norte-americana por crimes como conspiração e fraude, relacionados ao recebimento de propinas na venda de direitos comerciais de competições como a Copa América e a Copa Libertadores.
Seu sucessor, Marco Polo Del Nero, também foi banido permanentemente pela Fifa de todas as atividades ligadas ao futebol. Ele não deixou o Brasil desde o início das investigações para evitar o risco de ser preso e extraditado para os Estados Unidos.
Denúncias e afastamentos recentes
Os problemas não pararam por aí. Em 2021, o então presidente Rogério Caboclo foi afastado do cargo após ser alvo de denúncias de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade. O caso gerou uma crise interna e resultou em sua suspensão pelo Comitê de Ética da própria confederação, levando a mais uma troca conturbada no comando.
Esse histórico de investigações, prisões e trocas de poder revela um padrão de instabilidade e problemas de governança que mancharam a reputação da CBF ao longo das últimas décadas, muito antes de a AFA entrar no radar das autoridades americanas.










