Um alerta sobre a formação de um ciclone extratropical de rápida intensificação, conhecido popularmente como “ciclone bomba”, colocou o litoral de Santa Catarina em atenção nesta semana, com o fenômeno sendo monitorado de perto por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O fenômeno climático, que ganha força de maneira abrupta, tem potencial para provocar ventos fortes, chuva intensa e grande agitação marítima, exigindo cuidados da população nas áreas de risco.
Diferente de um ciclone comum, sua principal característica é a velocidade com que se desenvolve. A intensidade de uma tempestade é medida pela pressão atmosférica em seu centro: quanto mais baixa, mais forte ela é. O “ciclone bomba” recebe esse nome por conta de um processo chamado bombogênese, que ocorre quando a pressão em seu centro cai pelo menos 24 milibares (hPa) em 24 horas — um critério técnico que pode variar conforme a latitude da tempestade.
Essa queda vertiginosa de pressão suga o ar ao redor para seu centro com muita força, gerando os ventos que podem ultrapassar os 100 km/h. O termo “bomba” é uma analogia a essa formação quase “explosiva”, e não se refere a uma explosão literal. É um jargão meteorológico que descreve a rapidez da intensificação.
Quais os principais efeitos de um ciclone bomba?
A combinação de baixa pressão e ventos fortes gera um cenário perigoso, com impactos diretos no continente e no mar. As consequências mais comuns associadas a um sistema como este incluem:
- Ventos intensos: as rajadas podem causar destelhamentos, queda de árvores, postes e interrupção no fornecimento de energia elétrica.
- Chuva volumosa: a umidade trazida do oceano se condensa e provoca chuvas persistentes e fortes, elevando o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.
- Agitação marítima e ressaca: as ondas podem atingir alturas significativas, tornando a navegação perigosa e causando ressacas que avançam sobre a orla, com potencial para danificar estruturas costeiras.
Embora o nome assuste, a formação de ciclones extratropicais é comum no Atlântico Sul, principalmente durante o outono e o inverno, quando o contraste entre massas de ar frio e quente é maior. O que torna o “ciclone bomba” mais notável é justamente a velocidade de sua formação, que concentra seus efeitos mais severos em um curto espaço de tempo.









