Uma nova realidade sobre a segurança no Brasil se revela nos dados sobre crimes patrimoniais. Embora o total de roubos e furtos de celulares tenha registrado uma queda de 13,4%, pela primeira vez os furtos se tornaram mais comuns que os roubos. Dados do mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, no último ano, 917.748 aparelhos foram subtraídos — uma média de 114 por hora. Desses, 56% foram furtos, invertendo a tendência histórica.
A principal razão para essa mudança no perfil do crime está na adaptação dos criminosos a novas barreiras de segurança digital. Ferramentas que dificultam o acesso a aplicativos bancários diminuíram a rentabilidade do crime violento. O roubo, que envolve ameaça direta à vítima, tornou-se mais arriscado e menos recompensador, fazendo com que a opção pelo furto se tornasse proporcionalmente mais frequente.
Programas como o Celular Seguro, do governo federal, e outras ferramentas de bloqueio rápido dificultaram o acesso a aplicativos de bancos após a subtração do aparelho. Com essa janela de oportunidade reduzida, o assaltante tem menos tempo para realizar transferências financeiras, que antes eram o principal atrativo do crime.
A mudança no perfil do crime
A mudança é notável quando se observa a série histórica. Em 2018, os furtos representavam 43,7% do total de casos, enquanto em 2024 essa proporção saltou para 56%. O roubo era motivado principalmente pela possibilidade de esvaziar contas bancárias, mas como o bloqueio remoto se tornou mais eficiente, a violência e a exposição do assalto deixaram de compensar o risco. Nesse cenário, o furto, um crime de oportunidade realizado sem que a vítima perceba no momento, ganhou espaço proporcional. Ele ocorre com frequência em locais de grande movimento, como transporte público e shows, onde o criminoso leva o celular para tentar desbloqueá-lo ou vender suas peças.
Como se proteger do furto
A prevenção contra furtos exige atenção redobrada e a adoção de hábitos simples no dia a dia. Como o crime depende da distração da vítima, estar alerta é a principal defesa. Algumas medidas podem fazer a diferença:
- Atenção em locais cheios: mantenha o celular guardado em bolsos frontais ou em compartimentos seguros de bolsas e mochilas, especialmente em ônibus, metrôs e eventos.
- Evite distrações: usar o aparelho enquanto caminha em ruas movimentadas aumenta a vulnerabilidade. Criminosos observam e escolhem alvos que parecem desatentos.
- Nunca deixe sobre a mesa: em bares, restaurantes e locais de trabalho, evite deixar o celular à mostra. A distração de segundos é suficiente para o crime.
- Ative os recursos de segurança: mantenha senhas fortes, biometria e a função de localização sempre ativadas. Isso dificulta o uso do aparelho por terceiros.
- Cadastre-se no Celular Seguro: faça o cadastro preventivo no programa do governo. Em caso de perda, furto ou roubo, o bloqueio do aparelho e de aplicativos se torna mais ágil.









