A nova pesquisa CNT/MDA, divulgada em 15 de setembro, mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 47,3% das intenções de voto contra 40% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, trazendo volatilidade ao mercado financeiro nesta semana. Sempre que o cenário eleitoral apresenta mudanças, mesmo que sutis, a cotação do dólar e o desempenho da Bolsa de Valores reagem quase que imediatamente.
Essa conexão direta ocorre porque o mercado financeiro opera com base em expectativas. Investidores buscam prever o futuro para tomar decisões de compra e venda de ativos, e as pesquisas funcionam como um termômetro, indicando qual projeto econômico tem mais chances de ser implementado no país.
Candidatos percebidos como mais favoráveis a políticas de livre mercado, com controle de gastos públicos e reformas estruturais, tendem a animar os investidores. Quando suas chances aumentam nas pesquisas, a Bolsa costuma subir e o dólar, cair, refletindo um maior otimismo com a economia brasileira.
Por outro lado, nomes associados a um maior intervencionismo estatal ou a políticas de expansão de gastos geram cautela. Se a popularidade desses candidatos cresce, é comum observar um movimento de aversão ao risco. Investidores vendem ações e buscam a segurança do dólar, fazendo sua cotação subir.
Estratégias para proteger o patrimônio
Diante da incerteza, investidores adotam estratégias para proteger seu dinheiro. Essas movimentações, feitas em grande escala, são justamente o que causa as oscilações nos preços dos ativos. As principais táticas incluem:
Dolarização da carteira: a compra da moeda norte-americana ou de ativos atrelados a ela é a medida mais comum. O dólar é visto como um porto seguro global, protegendo o patrimônio contra uma eventual desvalorização do real.
Migração para renda fixa: reduzir a exposição a ações, que são mais voláteis, e alocar recursos em investimentos mais conservadores, como títulos do Tesouro Direto atrelados à taxa Selic, é outra alternativa. A previsibilidade se torna mais valiosa em tempos de instabilidade.
Cautela com setores sensíveis: empresas estatais e de setores regulados pelo governo, como energia e bancos, costumam sofrer mais com a instabilidade política. Por isso, muitos investidores evitam ou reduzem suas posições nessas companhias durante o período eleitoral.








