A pesquisa eleitoral da Quaest, que medem as intenções de voto e a avaliação de governos, se tornaram um termômetro importante do cenário político brasileiro. Para traduzir a opinião de milhões de eleitores em números, o instituto segue uma metodologia estatística rigorosa, que começa muito antes de as perguntas serem feitas nas ruas ou por telefone.
O processo se baseia em um planejamento detalhado para garantir que os resultados sejam um reflexo fiel da população. Cada etapa, da escolha dos entrevistados à análise final, é desenhada para minimizar distorções e entregar um retrato preciso do momento.
Como a amostra é definida?
O primeiro passo da pesquisa é a definição da amostra, ou seja, o grupo de pessoas que será entrevistado. Como é impossível ouvir todos os eleitores do país, a Quaest seleciona um número representativo de participantes, geralmente entre mil e dois mil, para compor um espelho da sociedade brasileira.
Para isso, o instituto utiliza dados do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A amostra é selecionada em múltiplos estágios — sorteando municípios, setores censitários e, por fim, os domicílios — e cuidadosamente dividida para respeitar as proporções da população em relação a critérios como: gênero, faixa etária, nível de escolaridade, renda familiar e região do país. Dessa forma, o resultado final busca representar o pensamento de todos os perfis de eleitores.
Coleta de dados e margem de erro
Com a amostra definida, os pesquisadores vão a campo. A Quaest utiliza predominantemente entrevistas presenciais e domiciliares, ou seja, os entrevistadores vão até as residências dos eleitores sorteados para aplicar os questionários face a face. Para garantir a precisão e a segurança da coleta, os pesquisadores utilizam dispositivos eletrônicos com geolocalização.
Toda pesquisa possui uma margem de erro, que indica a variação máxima esperada nos resultados. Se um candidato aparece com 40% das intenções de voto e a margem é de dois pontos percentuais, seu desempenho real está entre 38% e 42%. Essa margem está associada a um nível de confiança, que na maioria das pesquisas é de 95%. Isso significa que, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, os resultados estariam dentro da margem de erro em 95 delas. Para garantir a transparência do processo, todo levantamento eleitoral deve ser obrigatoriamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ajustes finais: a ponderação dos dados
Após a coleta, os dados brutos passam por um processo de ponderação. Nessa etapa, os analistas fazem ajustes finos para garantir que o perfil da amostra entrevistada corresponda exatamente às proporções da população brasileira definidas pelo IBGE. Se, por exemplo, a pesquisa ouviu um pouco mais de homens do que a proporção real, um peso é aplicado para equilibrar o resultado final, garantindo a precisão do levantamento.








