Aprovada na Câmara dos Deputados em maio de 2026 e agora em tramitação no Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais gera um intenso debate sobre seus potenciais impactos na economia. Setores como comércio, serviços e indústria, que operam de forma contínua, analisam os desafios operacionais e financeiros que a medida pode trazer.
A proposta estabelece uma transição em etapas: as empresas teriam 60 dias para adotar a escala 5×2, com jornada de 42 horas semanais, e 12 meses para implementar a redução final para 40 horas. A PEC prevê exceções, como para trabalhadores com nível superior e remuneração acima de R$ 21.188,87, e para categorias que já cumprem jornadas iguais ou inferiores a 40 horas.
Atualmente, muitos segmentos utilizam o modelo 6×1 para garantir cobertura de pessoal durante todos os dias da semana, incluindo sábados e domingos, sem incorrer em altos custos com horas extras. No varejo, lojas de shopping e supermercados dependem de equipes completas nos fins de semana. O mesmo ocorre no setor de serviços, especialmente em bares e restaurantes. Já na indústria, o impacto se concentra em linhas de produção ininterruptas, como nos setores siderúrgico e petroquímico.
Os principais desafios com fim da escala 6×1
A transição para um novo modelo de jornada de trabalho traz consequências diretas para as empresas e, indiretamente, para o consumidor. A adaptação envolve mais do que apenas ajustar horários; ela mexe com a estrutura de custos e a competitividade dos negócios.
- Aumento do custo operacional: A necessidade de contratar mais trabalhadores para cobrir a mesma carga horária semanal é o efeito mais imediato. Isso inclui não apenas salários, mas também benefícios, encargos e custos de treinamento.
- Repasse para os preços: Com o aumento das despesas, a tendência é que as empresas repassem parte desse custo para o preço final de produtos e serviços. O consumidor pode sentir o impacto no supermercado, no restaurante e nas lojas.
- Pressão sobre pequenos negócios: Pequenas e médias empresas, que possuem margens de lucro mais apertadas, podem ter maior dificuldade para absorver os novos custos trabalhistas. A PEC prevê que regras diferenciadas possam ser aplicadas para microempresas e MEIs.
Outro ponto de atenção é a possível busca por automação como forma de reduzir a dependência da mão de obra. Embora seja uma alternativa para grandes indústrias, essa solução exige altos investimentos e não é acessível para a maioria dos pequenos e médios empresários do comércio e de serviços.





