A recente previsão da vidente Vó Bahiana sobre uma abdução em massa durante o jogo entre Brasil e Escócia na Copa do Mundo de 2026, que rapidamente viralizou, ilustra um fascínio antigo da humanidade: a crença em videntes e profecias. Mesmo sem evidências concretas, muitas pessoas se sentem atraídas por essas narrativas. A psicologia explica que essa tendência não é sinal de ingenuidade, mas sim um reflexo de como nosso cérebro funciona para lidar com a incerteza.
O desejo por previsões se intensifica em momentos de ansiedade e instabilidade, como durante crises globais ou incertezas pessoais. Diante de um futuro imprevisível, o cérebro busca ativamente por padrões e respostas que ofereçam uma sensação de controle. Uma profecia, por mais absurda que pareça, entrega uma narrativa simples e direta, o que pode aliviar temporariamente o estresse causado pela falta de respostas.
Os gatilhos mentais que nos fazem acreditar em videntes
Diversos mecanismos cognitivos, conhecidos como vieses, atuam para reforçar essa crença. O mais comum é o viés de confirmação, que nos leva a procurar, interpretar e lembrar de informações que confirmam nossas crenças pré-existentes. Se uma pessoa acredita em um vidente, ela focará nos poucos acertos e ignorará a grande maioria dos erros.
Outro fator poderoso é o Efeito Forer, ou Efeito Barnum. Esse fenômeno explica por que aceitamos descrições vagas e genéricas como se fossem análises precisas e personalizadas. Frases como “você enfrenta uma luta interna, mas tem um grande potencial” se aplicam a praticamente qualquer pessoa, criando uma falsa sensação de conexão e acerto.
A linguagem utilizada pelos videntes também é fundamental nesse processo. O uso de termos ambíguos e declarações abertas a múltiplas interpretações aumenta a probabilidade de que algum evento possa ser associado à previsão. Dessa forma, a pessoa que acredita faz o trabalho de conectar os pontos, validando a profecia por conta própria.
No fundo, a busca por videntes reflete uma necessidade humana por esperança e significado. A crença de que alguém pode ver o futuro oferece conforto e a ideia de que os acontecimentos não são puramente aleatórios. Seja uma abdução em um estádio, uma previsão sobre carreira ou um conselho sobre a vida amorosa, o interesse revela mais sobre nossa própria mente do que sobre o futuro.









