SÃO PAULO

Polícia de SP indicia sócios de academia onde mulher passou mal e morreu

No pedido de indiciamento, encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, o delegado Alexandre Bento, do 42° DP (São Lucas), cita que os sócios foram displicentes no atendimento às vítimas e que ainda teriam tentado dificultar as investigações do caso

<p>Ela se sente mal e sai da piscina. Então, precisa sentar-se no chão, atraindo a atenção de pessoas que estavam ao redor e que se preocupam com a situação. </p>
 -  (crédito: Reprodução de vídeo TV Globo )

Ela se sente mal e sai da piscina. Então, precisa sentar-se no chão, atraindo a atenção de pessoas que estavam ao redor e que se preocupam com a situação.

- (crédito: Reprodução de vídeo TV Globo )

A Polícia Civil indiciou por homicídio nesta quarta-feira, 11, os três sócios da academia C4 Gym, localizada na região de São Lucas, zona leste de São Paulo. No último sábado, 7, a professora Juliana Bassetto, de 27 anos, morreu depois de passar mal durante uma aula de natação no local.

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A suspeita é que ela tenha entrado em contato com gases tóxicos gerados por produtos químicos usados para a limpeza da piscina. Outras quatro pessoas, que também frequentaram a mesma atividade, estão hospitalizadas.

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Os proprietários da academia, os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, que ainda não tinham se manifestado sobre o caso, prestaram depoimento à polícia nesta quarta. A reportagem busca contato com a defesa. O espaço segue aberto.

No pedido de indiciamento, encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, o delegado Alexandre Bento, do 42° DP (São Lucas), cita que os sócios foram displicentes no atendimento às vítimas e que ainda teriam tentado dificultar as investigações do caso.

"No mesmo momento em que os médicos declaravam o óbito de Juliana em um hospital no ABC Paulista, um dos sócios orientava um funcionário a comparecer à empresa a fim de tentar dissipar os gases e descaracterizar a cena do crime", diz o delegado.

O responsável por fazer a mistura de produtos para a limpeza da piscina era o funcionário Severino Silva, de 43 anos, que não tem formação técnica para a função. Na terça, 10, ele informou aos investigadores que era orientado pelos donos do local quanto à mistura e dosagem, via mensagens de celular.

A polícia aguarda o laudo necroscópico da professora, além dos laudos pericial realizado na academia e químico das amostras da água e dos produtos utilizados por Severino, para confirmar as causas da morte da professora e das internações das demais vítimas.

A principal linha de investigação é que o cloro pode ter sido misturado com outro cloro de tipo ou marca diferente ou, então, com algum produto químico inadequado. Nos dois casos, há a possibilidade de a mistura gerar uma reação química tóxica.

"Os relatos colhidos indicam a inadequação na utilização de cloro em quantidades excessivas, por pessoas sem habilitação profissional ou conhecimento técnico, empregada de forma consciente e deliberada pelos sócios da empresa C4 Gym, visando exclusivamente à vantagem financeira (lucro)", cita Henrique Bento.

O delegado afirma ainda que, ao tomarem conhecimento sobre os acontecimentos, os sócios "nada fizeram pelas vítimas" e teriam demonstrado "completa impassividade".

"Pelo contrário, buscaram preservar a empresa e dificultar as investigações, na medida em que simplesmente orientaram os funcionários a fecharem a empresa e deixarem o local", afirma.

"Entendendo que os investigados, pelos motivos acima expostos, assumiram o risco do resultado morte, ao dispensarem o auxílio de profissional com habilitação e capacidade técnica, por egoísmo e ganância, visando apenas e tão somente à redução dos custos", acrescentou Alexandre Bento.

MP instaura inquérito para investigar rede

Na última terça, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que instaurou um inquérito civil para investigar a rede de academias C4 Gym, que possui franquias espalhadas por São Paulo. A reportagem buscou contato com a academia, mas não teve retorno.

O inquérito civil foi aberto pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, com o objetivo de apurar se as franquias da rede operam sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O AVCB é um documento que atesta que uma edificação possui as condições de segurança contra incêndio e pânico exigidas por lei.

O promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos determina que a academia apresente uma relação completa das unidades em funcionamento (endereço, identificação dos franqueados), detalhes de como os contratos de franquia são firmados, além de informações sobre eventuais irregularidades.

"Segundo informações preliminares constantes da portaria, a empresa opera por meio de sistema de franquias, havendo indícios de que algumas unidades funcionariam sem o devido AVCB", informou a promotoria em nota.

Depois do episódio, a Subprefeitura de Vila Prudente interditou a academia C4 Gym devido a uma "situação precária de segurança" e também pela ausência do Auto de Licença de Funcionamento, o alvará, uma vez que o estabelecimento possui dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço. "É uma situação nebulosa. Há dois CNPJs no local. Um apresenta e o outro não", disse o delegado Alexandre Bento.

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postado em 12/02/2026 10:31
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