A Floresta Estadual do Paru, unidade de conservação no estado do Pará que abriga a quarta maior árvore do mundo, foi a segunda área protegida estadual mais ameaçada pelo desmatamento na Amazônia entre outubro e dezembro de 2025, segundo relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, publicado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O levantamento, divulgado na quarta-feira (4/2), aponta que a floresta figurou em segundo lugar no ranking de unidades de conservação estaduais mais ameaçadas nesse período, atrás apenas da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago de Tucuruí, também no estado do Pará.
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A unidade de conservação integra o maior bloco contínuo de áreas protegidas e terras indígenas do mundo e abriga um exemplar de angelim-vermelho de 88,5 metros de altura, a maior árvore da América Latina, além de outras árvores de grande porte consideradas símbolos da biodiversidade amazônica.
Além da FES do Paru, a lista das dez unidades de conservação estaduais mais ameaçadas no último trimestre de 2025 inclui a Floresta Estadual Afluente do Complexo do Seringal Jurupari (AC), a APA Baixada Maranhense (MA) e a Floresta Estadual do Rio Gregório (AC), entre outras.
Ranking das unidades de conservação Estaduais com mais ameaças no último trimestre de 2025
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1º lugar: APA do Lago de Tucuruí (PA)
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2º lugar: FES do Paru (PA)
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3º lugar: FES Afluente do Complexo do Seringal Jurupari (AC)
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4º lugar: APA Baixada Maranhense (MA)
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5º lugar: FES do Rio Gregório (AC)
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6º lugar: APA de Nhamundá (AM)
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7º lugar: APA Guajuma (AM)
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8º lugar: FES do Antimary (AC)
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9º lugar: APA Caverna do Maroaga (Presidente Figueiredo – AM)
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10º lugar: RDS Vitória de Souzel (PA)
O relatório do Imazon, com dados referentes ao último trimestre de 2025, emprega metodologia que analisa a presença e a concentração de células de 10 × 10 km com ocorrência de desmatamento dentro e nos arredores das unidades de conservação para classificar o nível de ameaça ao território.
A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, foi a área protegida mais afetada pela derrubada de vegetação dentro de seu próprio território entre outubro e dezembro de 2025. O dado coloca a unidade no topo do ranking das áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento no período, que inclui terras indígenas e unidades de conservação federais e estaduais.
Na comparação com o último trimestre de 2024, houve redução de aproximadamente 40% no número de células de desmatamento registradas na reserva. Apesar da queda, a Resex Chico Mendes manteve a liderança no ranking e já vinha aparecendo de forma recorrente nos levantamentos anteriores, incluindo o relatório referente aos meses de abril a junho de 2025.
Segundo o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr., a classificação de pressão indica a ocorrência efetiva de desmatamento dentro do território protegido. “Quando uma unidade apresenta pressão, significa que o desmatamento já está acontecendo dentro do território, o que representa um impacto direto nas comunidades tradicionais que vivem da natureza e dependem dela para sua subsistência”, afirma.
Além da Resex Chico Mendes, o ranking das áreas protegidas mais pressionadas no último trimestre de 2025 reúne unidades concentradas principalmente no Pará. O estado aparece com seis das dez áreas listadas, incluindo a APA Triunfo do Xingu, a Resex Tapajós-Arapiuns, a APA do Arquipélago do Marajó e a APA do Lago de Tucuruí. Terras indígenas como Cachoeira Seca do Iriri, no Pará, e Waimiri Atroari, entre Amazonas e Roraima, também figuram entre as mais pressionadas.
A predominância do Pará se repete na análise das áreas protegidas mais ameaçadas, aquelas que apresentam maior risco de avanço do desmatamento. Sete das dez áreas listadas estão no estado. Nesse ranking, a liderança ficou com a Floresta Nacional de Saracá-Taquera, seguida pela Resex Chico Mendes e pela Resex Tapajós-Arapiuns.
No recorte específico das terras indígenas, Trincheira/Bacajá e Arara, ambas no Pará, foram apontadas como as mais ameaçadas entre outubro e dezembro de 2025. O levantamento indica que sete das dez terras indígenas com maior nível de ameaça já haviam aparecido no ranking do mesmo período de 2024, o que demonstra a continuidade do processo de derrubada nessas áreas.
- Leia também: Desmatamento cai, mas florestas continuam ameaçadas
Entre as terras indígenas mais pressionadas, a liderança ficou com a TI Cachoeira Seca do Iriri, no Pará, e a TI Waimiri Atroari, localizada entre Amazonas e Roraima. Todas as dez terras indígenas com registros de pressão no período também já haviam sido identificadas no último trimestre de 2024.
Para Bianca, pesquisadora do Imazon, a recorrência dessas áreas nos levantamentos evidencia que o avanço do desmatamento não ocorre de forma isolada. “Quando esses territórios aparecem de forma recorrente nos levantamentos, fica evidente que a destruição não é pontual, mas sim o resultado de um processo contínuo. Esse cenário exige ações imediatas e contínuas de fiscalização para impedir a consolidação dessas invasões, além de medidas efetivas de proteção que garantam os direitos dos povos originários”, afirma.
O Imazon também informa que a pressão sobre áreas protegidas — medida pela concentração de desmatamento nos arredores desses territórios — segue em níveis que demandam atenção, destacando a necessidade de ações de fiscalização e proteção mais robustas para conter a expansão da devastação na Amazônia.
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