SÃO PAULO

Marido de mulher que morreu em piscina relembra tragédia: 'Sufocando'

Casal participava de uma aula de natação em academia quando houve a liberação de um gás tóxico na área da piscina

O analista Vinícius de Oliveira, 31 anos, ainda se recuperava na UTI quando gravou um vídeo relatando os momentos que antecederam a morte da esposa, Juliana Bassetto, 27 anos. O casal participava de uma aula de natação na academia C4 Gym, no último sábado (7/2), quando houve a liberação de um gás tóxico na área da piscina.

“A gente estava nadando já fazia uns 15 minutos. E aí acho que foi o momento em que a mistura foi feita. Eu lembro que eu estava na raia da direita e já encostei na parede sufocando, sentindo o peito ardendo”, contou Vinícius no vídeo ao qual o programa Fantástico teve acesso.

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Segundo ele, a reação foi imediata. “Minha reação foi sair da piscina e pedir socorro. Só que aí eu olhei pra trás e a Ju estava tendo a mesma reação que eu. Aí eu voltei para ajudar ela. Aí a gente conseguiu subir ela e a gente evacuou ela da piscina.”

O casal ainda conseguiu caminhar até o saguão da academia, longe do ambiente abafado da piscina. “No momento, ela estava sentindo muita falta de ar, aí ela sentou lá no chão. Aí eu peguei as minhas coisas e a gente foi para o hospital”, relatou. Na unidade hospitalar, Vinícius também começou a passar mal e ficou internado por cerca de uma semana. Juliana, no entanto, não resistiu.

“Espero que as coisas sejam feitas da forma correta nas piscinas. Que seja fiscalizado. Porque o que foi feito não pode se repetir”, desabafou.

Relatos de funcionários da C4 Gym indicam que a quantidade de cloro utilizada diariamente na piscina onde Juliana passou mal correspondia a uma carga recomendada para uma semana inteira. A principal suspeita é de que as vítimas tenham sofrido intoxicação provocada pelo produto químico usado na limpeza. Além do casal, outras cinco pessoas que estiveram na piscina no mesmo dia precisaram ser internadas.

As investigações apontam que a manipulação do cloro era feita por Severino Silva, ajudante-geral da academia, que exercia a função de manobrista e não possuía formação específica para o manuseio do produto. À polícia, ele afirmou que recebia orientações dos sócios da academia por mensagens. A defesa de Severino informou que ele colabora com as investigações e que, até o momento, é tratado apenas como testemunha, não tendo sido indiciado.

A Polícia Civil indiciou os sócios da academia — Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração — pelo crime de homicídio por dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado morte, e solicitou a prisão temporária dos empresários. O Tribunal de Justiça de São Paulo indeferiu o pedido e autorizou que eles respondam ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares.

De acordo com a polícia, os sócios teriam priorizado o lucro ao designar uma pessoa sem experiência técnica para cuidar da piscina e, após o incidente, tentado descaracterizar a cena, dissipando os gases logo depois de Juliana ser levada ao hospital. Em nota, a defesa dos responsáveis pela academia afirma que, assim que alunos relataram forte odor na piscina, o espaço foi imediatamente esvaziado e o Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados. A defesa sustenta ainda que a escolha pelo hospital em Santo André partiu da própria Juliana e de seus acompanhantes, e que a unidade foi fechada no horário habitual de sábado, às 15h, permanecendo os responsáveis à disposição para esclarecimentos. O caso segue sob investigação.

*Com informações da Agência Estado

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