Campeã do carnaval de São Paulo em 2026, a Mocidade Alegre viralizou em perfis estrangeiros nas redes sociais nos últimos dias com um grande carro alegórico de Iemanjá. Vídeos da apresentação tiveram milhares de compartilhamentos, que destacaram a valorização da ancestralidade africana no Brasil.
"A forma como a África se manifesta no carnaval brasileiro é simplesmente linda para mim!", diz postagem no X (antigo Twitter), com um milhão de visualizações. "Para mim, não existe comunidade negra fora da África que se orgulhe mais de sua herança africana do que a negritude afro-brasileira. Linda", apontou outra, com mais de 608 mil visualizações.
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Segunda maior campeã do carnaval paulistano, a Mocidade Alegre chegou ao 13º título com um enredo em homenagem à atriz Léa Garcia. O nome é "Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra".
O carro alegórico chamou a atenção por trazer a representação africana da Iemanjá, repleta de conchas, e também pela plasticidade do efeito da queda da água. A alegoria é inspirada no filme A Deusa Negra, de 1978, do cineasta nigeriano Ola Baloguno, no qual Lea interpreta Iemanjá.
A ancestralidade e representatividade africana de Léa Garcia estão entre as principais características do desfile. Em determinado trecho, o samba-enredo exalta: "Consagração da negritude/ Resiste entre tantos personagens/ A pele preta é armadura/ No palco, expressão de liberdade".
- A escola destacou momentos marcantes da trajetória de Léa Garcia, com fantasias e alegorias que revisitavam sua carreira, desde as origens no Teatro Experimental do Negro até os papéis consagrados no cinema e na televisão. A atriz morreu em 2023, aos 90 anos, no dia em que seria homenageada no Festival de Cinema de Gramado.
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Carioca, Léa estrelou Orfeu Negro, de 1959, filme francês de Marcel Camus gravado no Brasil e vencedor do Oscar de produção estrangeira. Em 2005, foi premiada em Gramado por As Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo. Atuou em outras dezenas de produções cinematográficas e de televisão.
No desfile, a atriz foi representada na comissão de frente pela médica Thelma Assis, conhecida por ter sido campeã do Big Brother Brasil de 2020. Outro ex-BBB e médico, Fred Nicácio participou ao representar Abdias Nascimento, intelectual e artista brasileiro que foi casado com Léa.
A Mocidade Alegre foi fundada em 1967. Com Solange Cruz Bichara Rezende de presidente, teve o desfile assinado pelo carnavalesco Caio Araújo. A bateria é liderada pelo Mestre Sombra.
A escola foi a terceira a desfilar no sábado, 14. Seus últimos títulos foram uma dobradinha, em 2023 e 2024.
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