CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Ministério da Saúde monitora impacto da guerra no abastecimento de remédios

A principal preocupação da pasta é com possíveis impactos nas cadeias globais de valor, especialmente no fornecimento de insumos farmacêuticos

A declaração foi durante uma coletiva de imprensa em um evento onde ocorreu a assinatura de um acordo entre o Ministerío da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MDS para a produção nacional do imunoterápico pembrolizumabe -  (crédito: Reprodução/ Guilherme Santana/MS)
A declaração foi durante uma coletiva de imprensa em um evento onde ocorreu a assinatura de um acordo entre o Ministerío da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MDS para a produção nacional do imunoterápico pembrolizumabe - (crédito: Reprodução/ Guilherme Santana/MS)

Rio de Janeiro (RJ) - Em entrevista coletiva durante agenda no Rio de Janeiro, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda de Negri, afirmou que o Ministério da Saúde mantém monitoramento constante sobre os possíveis efeitos dos conflitos no Oriente Médio no abastecimento de medicamentos no Brasil.

De acordo com a Fernanda, a principal preocupação da pasta é com possíveis impactos nas cadeias globais de valor, especialmente no fornecimento de insumos farmacêuticos. Ela destacou que o Estreito de Ormuz é um ponto crítico para o transporte global de petróleo — insumo essencial para a produção industrial — e que eventuais interrupções podem afetar países exportadores como Índia e China, importantes fornecedores para o Brasil.

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Apesar do cenário de incerteza, ela assegurou que não há, até o momento, risco iminente de desabastecimento. “Não temos um alerta de que vai faltar medicamento por conta disso, mas estamos monitorando isso cotidianamente”, disse. O governo federal admite, no entanto, que a instabilidade internacional pode provocar aumento nos custos de logística e produção, com possíveis reflexos nos preços.

A declaração foi feita em evento que marcou a assinatura de um acordo para produção nacional do imunoterápico pembrolizumabe, usado no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de melanoma. Com a nova parceria, a expectativa, segundo Rodrigo Cruz, diretor executivo de relações governamentais da MSD, é ampliar o acesso ao medicamento para outros quatro tipos de câncer — esôfago, colo do útero, pulmão e mama triplo negativo. A análise da ampliação está prevista para votação nos dias 8 e 9 de abril.

A parceria envolve, além do ministério, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD, e é considerada estratégica pelo governo para reduzir a dependência externa e fortalecer o SUS. Sobre o acordo, Fernanda destacou que a ampliação da produção nacional é uma das principais respostas do governo para mitigar riscos associados a crises geopolíticas. “A questão é que você fica menos vulnerável a esse tipo de situação, como guerras e oscilações no fornecimento. Ter capacidade de produzir aqui dá mais garantias de que o medicamento não vai faltar”, afirmou.

A secretária também citou avanços recentes, como a nacionalização completa da produção do tacrolimo, imunossupressor essencial para pacientes transplantados, fabricado em parceria com a Fiocruz. De acordo com o Ministério da Saúde, o fortalecimento do chamado Complexo Econômico-Industrial da Saúde busca assegurar que, mesmo diante de interrupções nas cadeias globais, o Brasil consiga manter o fornecimento de medicamentos essenciais à população.

*A repórter viajou a convite da farmacêutica MDS

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postado em 26/03/2026 17:39
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