Dois meses após o desaparecimento de três crianças em Bacabal, no interior do Maranhão, o caso continua sem respostas. Mesmo com mobilização de forças de segurança, uso de tecnologia e buscas em áreas de mata, o paradeiro dos irmãos segue desconhecido. A principal suspeita é de que as crianças tenham sido levadas por um adulto.
Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, sumiram em 4 de janeiro enquanto brincavam em uma área de mata próxima a casa deles, no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão.
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Um dos primos das crianças também estava com os irmãos no dia em que desapareceram e passou três dias sem ser localizado. Wanderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado com vida no dia 7 de janeiro.
Segundo relato do menino aos pais e à psicóloga que o acompanha no hospital, as crianças teriam passado por um lago durante o trajeto. Wanderson afirmou que deixou os dois primos nessa área antes de seguir sozinho em busca de ajuda.
O garoto foi localizado por produtores rurais em uma estrada a cerca de quatro quilômetros do ponto onde o grupo havia sido visto pela última vez. Ele estava debilitado, com sinais de desorientação e diversas picadas de insetos, o que indicava que havia permanecido por dias exposto na mata.
Nos primeiros dias após o desaparecimento, moradores se mobilizaram para ajudar nas buscas, percorrendo trilhas e áreas de mata próximas à cidade. Com o avanço das investigações, drones, cães farejadores e outras tecnologias passaram a ser utilizados na tentativa de localizar pistas sobre o paradeiro das crianças.
A mãe das crianças, Clarice, afirmou que segue sem respostas concretas das autoridades e diz viver dias de angústia desde o desaparecimento. Em entrevista a um criador de conteúdo local, ela relatou que recebe poucas informações sobre o andamento das investigações. “Eles me dizem que continuam procurando, que estão investigando, mas até agora a gente não tem uma notícia concreta para passar”, afirmou.
Segundo ela, um policial que acompanha o caso teria indicado que as crianças não permaneceram em uma casa abandonada que chegou a ser investigada durante as buscas. “Foi o que um investigador me repassou: que eles não estavam naquela casa caída. Que apenas passaram por lá com alguém e que depois teriam sido levados”, disse.
Clarice também descreveu como era a rotina com os filhos antes do desaparecimento. Segundo ela, o dia a dia da família era simples e girava em torno da escola e das brincadeiras. “A minha rotina sempre foi cuidar deles. Era de casa para a escola, da escola para casa, e brincar”, contou.
A mãe afirma que tenta se manter firme diante da ausência dos filhos e da repercussão do caso. “É difícil. Não é fácil. Mas Deus está me dando força todos os dias para passar por isso”, disse. Ela também fez um apelo para que possíveis informações sejam repassadas às autoridades de forma responsável.
“Eu sinto que eles estão vivos. É o que o meu coração diz. Peço que, se alguém ver meus filhos, ligue para a polícia ou tire uma foto, mas que sejam notícias verdadeiras, para não atrapalhar as investigações”.
Clarice relatou ainda que tem enfrentado ataques nas redes sociais desde que o caso ganhou repercussão nacional. “Já estou passando por esse sofrimento e ainda tem os ataques na internet. Isso também acaba me atingindo”, afirmou.
Apesar do esforço das equipes de busca, o caso permanece cercado de dúvidas. Até o momento, não há confirmação sobre o que aconteceu com as crianças, nem indícios conclusivos que permitam reconstruir os momentos após o desaparecimento.
Procurada pela reportagem do Correio, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informou que as investigações continuam em andamento. Em nota, a pasta afirmou que o inquérito ainda não foi concluído e que uma comissão especial foi formada para acompanhar o caso.
“A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informa que o inquérito, que apura o desaparecimento das crianças em Bacabal, ainda não foi concluído e que a Polícia Civil segue com os trabalhos investigativos, por meio de comissão especialmente constituída para esse fim. Até o momento, não é possível apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas”, informou a secretaria.
A SSP acrescentou que permanece empenhada na elucidação do caso e que todas as medidas necessárias continuam sendo adotadas para o completo esclarecimento dos fatos.
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