O diretor de Relações Institucionais e presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, conversou com os jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Denise Rothenburg sobre a produção mineral no país e como o Brasil pode se tornar líder em insumos para a transição energética. A entrevista do CB.Poder foi nesta segunda-feira (13/4).
O diretor destacou as terras raras — minerais da família dos elementos químicos denominados lantanídeos —, cujo Brasil, que tem a segunda maior reserva do mundo, só pesquisou 30% do território. Para Cesário, o desafio será a corrida tecnológica global, pois quase nenhum país domina o ciclo de produção, que envolve a extração e, principalmente, o beneficiamento e a colocação dos produtos no mercado.
“Nós não temos — e não é só o Brasil, quase ninguém tem — a tecnologia de processamento para colocar esses produtos na categoria de óxidos, que é o produto mais puro. Para levar o vanádio, por exemplo, a 99,99% de pureza. Essa tecnologia técnica de industrialização nós ainda não temos e precisamos desenvolvê-la. Precisamos também entrar na corrida para a aplicação desses produtos, o que exige conhecimento e pesquisa em química e física para criar novos produtos”, explicou.
Segundo o convidado, a China, que já investe nesse mercado há 40 anos, não é uma adversária ou um país que atrapalharia o Brasil a entrar nesse mundo. Para o especialista, nós temos uma grande oportunidade já que o Brasil adota uma política externa de muitos anos de ser amistoso e evitar conflitos, sendo um porto confiável para todos os interessados, conseguindo atrair países estrangeiros, como Estados Unidos e o gigante asiático para o mercado nacional.
“Temos pesquisa, pesquisadores e universidades no Brasil para jogar esse jogo. A grande questão é como o país se organiza para que nossas empresas façam essas parcerias e nossos pesquisadores trabalhem em conjunto. Novamente, a questão central é como criamos riqueza para as pessoas aqui”, afirmou.
De acordo com Cesário, a criação de uma estatal para cuidar das terras raras não é bem vista pelos olhos do IBRAM, pois é algo que já foi feito anteriormente diversas vezes e todas não deram certo.
“Hoje temos duas estatais na mineração: a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). O Serviço Geológico é responsável por fazer a pesquisa mineral no Brasil para mapear o território. Sabe qual percentual do território temos mapeado hoje? Menos de 30%. É pouquíssimo, quase nada. Temos falhado e estamos "no escuro" nas últimas décadas por não investir adequadamente nisso. Já a INB é responsável por extrair e processar urânio. Sabe o que aconteceu nos últimos 15 anos? Nada foi feito, perdemos esse tempo. Perdemos a capacidade de extração e processamento desse minério para virar combustível”, criticou.
Para Cesário, o setor público e privado tem que trabalhar juntos, investindo em tecnologia e pesquisa mineral. “Com isso, conseguimos criar uma cadeia em que o Estado e o setor privado agem juntos, cada um no que faz melhor, retomando esse ciclo. Temos uma oportunidade única para surfar essa onda, precisamos trabalhar em tecnologia e encadeamento produtivo no Brasil”, disse.
Veja a entrevista completa:
*Estagiário sob supervisão de Luiz Felipe
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