MAPA-MUNDI

IBGE lança mapa invertido com Brasil no centro e foco na biodiversidade

Nova projeção destaca riqueza de espécies no planeta e apresenta o uso simbólico de mapas pelo instituto

O IBGE lançou, nesta segunda-feira (4/5), um novo mapa-múndi com o Brasil no centro e os continentes em posição invertida em relação ao padrão tradicional. A publicação, intitulada “Riqueza de Espécies 2025”, apresenta dados sobre biodiversidade global e marca o início das celebrações pelos 90 anos do órgão.

A nova projeção incorpora um indicador que estima a quantidade potencial de espécies (como anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce) em áreas de 100 km². No mapa, regiões como a Amazônia aparecem em destaque, com alta concentração de biodiversidade, representada por tons de verde mais intensos.

Em nota, o instituto afirmou que optou por centralizar o Brasil no mapa em razão de sua “importância no atual contexto social e político” e reforçou que há diferentes formas de representar o planeta além da orientação tradicional norte-sul. Segundo o IBGE, o material também busca ampliar o debate sobre a preservação ambiental, em alusão ao Dia Internacional da Diversidade Biológica, celebrado em 22 de maio.

“O objetivo é conscientizar sobre a relevância da fauna, da flora e dos ecossistemas para o equilíbrio da vida, da saúde e do bem-estar humano”, destacou o órgão.

A iniciativa ocorre sob a gestão do economista Marcio Pochmann, que já havia promovido projetos semelhantes em 2024 e 2025. Em ocasiões anteriores, o instituto também divulgou mapas com o Brasil em posição central, o que gerou repercussão dentro e fora da comunidade acadêmica.

Na época, Pochmann afirmou que as propostas buscavam destacar o protagonismo do país em fóruns internacionais, como Brics, Mercosul e COP30. As iniciativas receberam apoio de parte de pesquisadores, que defendem a pluralidade de representações cartográficas, mas também enfrentaram críticas.

Um núcleo da Assibge, sindicato dos servidores do instituto, chegou a questionar o caráter das publicações. Para o grupo, o IBGE deve priorizar a produção de informações técnicas e objetivas, evitando materiais com interpretação simbólica ou política.

Apesar das críticas, o presidente do instituto defendeu a proposta durante o evento de lançamento, realizado em Brasília. “Estamos falando de um planeta que não é plano e, portanto, permite diferentes perspectivas de observação”, afirmou. “Inovamos ao estimular a reflexão sobre as transformações em curso no mundo e o papel que o Brasil pode desempenhar”.

O mapa utiliza a projeção cartográfica Equal Earth, considerada mais fiel às proporções reais dos continentes. Segundo o IBGE, essa abordagem busca reduzir distorções presentes em modelos tradicionais, como a projeção de Mercator, que amplia regiões próximas aos polos e reduz áreas como a África e a América do Sul.

Além do caráter científico, o instituto também disponibilizou o material para venda em sua loja virtual, em versões em português e inglês. Os preços variam entre R$ 25 e R$ 90, conforme o tamanho. Algumas edições já apresentavam indisponibilidade de estoque no início da noite desta segunda-feira.

 

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