Saúde pública

Paraná tem dois casos de hantavírus confirmados; outros 11 são investigados

Episódios ocorreram em abril e fevereiro, em cidades diferentes, e autoridades sanitárias afastam a possibilidade de um surto. Além disso, o agente infeccioso não é o mesmo que matou três pessoas em um navio de cruzeiro que ia da Argentina para Cabo Verde, na África

A Secretaria de Saúde do Paraná confirmou, ontem, duas infecções por hantavírus, investiga 11 e descartou 21 depois de análise. Os dois episódios são em Pérola d'Oeste e em Ponta Grossa. O alerta vem depois da divulgação da Organização Mundial de Saúde (OMS), nesta semana, sobre casos e mortes pelo agente infeccioso no navio de cruzeiro MV Hondius, que viajava da Argentina para Cabo Verde.

O paciente de Pérola d'Oeste é um homem de 34 anos, cuja infecção foi confirmada em abril. O de Ponta Grossa é uma mulher de 28, que teve a confirmação de que contraíra o vírus em fevereiro. A Secretaria de Saúde garante que a doença está sob controle no Paraná e que a rede pública de saúde monitora as suspeitas.

Além disso, os casos identificados no Paraná são da cepa silvestre, transmitida por meio de animais silvestres. Não há registro no estado da circulação do vírus Andes, que é apontado como o responsável pelas mortes e casos no navio de cruzeiro.

No ano passado, as autoridades sanitárias do Paraná haviam identificado um caso de infecção no município de Cruz Machado. Por ser uma doença de transmissão zoonótica — ou seja, é passada por contato com animais —, a Secretaria de Saúde informa que, com o aumento dos casos, a principal maneira de prevenção são medidas que incluem roçar o terreno em volta das residências, dar destino adequado a entulhos, manter alimentos estocados em recipientes fechados, usar equipamentos de proteção (como luvas e calçados fechados) e fazer apenas limpeza úmida de anexos peridomiciliares (galpões, silos, paióis etc.) como forma a evitar a contaminação pelos aerossóis.

Apesar da gravidade da infecção, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou que o risco para a população é mínimo. "Embora se trate de um incidente grave, a OMS considera que o risco para a saúde pública é baixo", explicou o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom, em um pronunciamento na quinta-feira.

No caso do MV Hondius, que seguiu rumo à costa africana, três pessoas que estavam a bordo morreram e oito suspeitas foram confirmadas, segundo a OMS. A embarcação deixou a Argentina no início de abril. A primeira vítima foi um homem holandês de 70 anos, que morreu a bordo em 11 de abril. Em seguida, a mulher dele, também holandesa e de 69 anos, desembarcou na ilha de Santa Helena e não resistiu à infecção dois dias depois, na África do Sul. A terceira morte foi de uma passageira alemã, também dentro do navio.

Transmissão por contato

O hantavírus é um vírus zoonótico associado aos roedores que, em alguns casos, pode ser transmitido para humanos por meio do contato com os animais infectados ou com sua urina, fezes ou saliva. Segundo o Ministério da Saúde, a Hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus, chamado de Hantavirus.

A cepa de hantavírus identificada no caso do navio é a Andes, encontrada na América Latina e a única variante conhecida com capacidade de transmissão limitada entre humanos. Em surtos anteriores, a infecção entre pessoas foi associada ao contato próximo e prolongado.

Sobre a cepa, o Ministério da Saúde divulgou nota destacando "que o risco global de disseminação do hantavírus permanece baixo, segundo avaliação mais recente da Organização Mundial da Saúde. O surto com casos confirmados e suspeitos em passageiros de um navio com histórico de circulação na América do Sul está sendo investigado sem impacto direto para o Brasil até o momento".

A pasta observa que "não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante relacionada ao episódio raro de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile, e que está em circulação no navio. Os casos humanos no Brasil não apresentam transmissão entre pessoas. Até o momento, o país identificou nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, e nenhuma transmissão entre pessoas."

Na América do Sul, a doença é denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) pelo comprometimento cardíaco observado em grande parte dos infectados. Os sintomas iniciais incluem febre, dor muscular, dor de cabeça, dor lombar, náusea, podendo evoluir para dispneia, taquicardia, tosse seca, hipotensão e choque circulatório.

Após o contato com o vírus, os sintomas podem começar a aparecer em até 60 dias. Não existe um tratamento específico para as infecções por hantavírus. As medidas terapêuticas são fundamentalmente as de suporte, ministradas conforme cada caso por um médico profissional.

* Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

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