Hantavirose

RS confirma dois casos de hantavírus; um homem morreu

Registros da doença em Minas Gerais, no Paraná, além do RS, reforçam orientações de prevenção em áreas rurais e ambientes fechados

O Rio Grande do Sul confirmou, até esta segunda-feira (11/5), dois casos de hantavírus, ambos registrados em áreas rurais do estado. Um dos pacientes é morador de Antônio Prado, o outro, de Paulo Bento, morreu após complicações provocadas pela doença. O governo estadual informou, porém, que os episódios não possuem ligação com o surto investigado em um cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde no início de abril.

Os registros levaram equipes de vigilância epidemiológica a reforçarem orientações de prevenção, principalmente entre trabalhadores rurais e pessoas expostas a locais fechados com presença de roedores silvestres.

Transmitida pelo hantavírus, a doença ocorre por meio do contato com fezes, saliva, urina ou partículas contaminadas deixadas por ratos silvestres. A infecção também pode acontecer durante a limpeza de galpões, depósitos, celeiros e construções abandonadas, quando partículas presentes na poeira são inaladas. Entre os sintomas iniciais estão febre, dores musculares, dor de cabeça, náusea e mal-estar. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir rapidamente para dificuldade respiratória, queda da pressão arterial e comprometimento cardiopulmonar.

Registros frequentes

Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que o Rio Grande do Sul mantém registros frequentes da doença nos últimos anos. Em 2022, o estado contabilizou nove casos, o maior número recente. Já em 2025, foram oito confirmações. Em 2024, houve sete ocorrências e, em 2023, seis notificações. As autoridades destacam que, apesar do baixo volume de registros em comparação com outras enfermidades, a hantavírus exige atenção por causa da alta taxa de mortalidade e da rapidez na evolução clínica.

No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou dois casos na última sexta-feira (8). Um dos pacientes mora em Pérola D’Oeste, município localizado próximo à fronteira com a Argentina, e o outro em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Outras 11 notificações seguem em investigação e 21 suspeitas já foram descartadas. Em nota, o governo paranaense informou que “a doença permanece sob controle” e que a rede pública continuará monitorando os casos suspeitos identificados pelas unidades de saúde.

Minas Gerais também registrou uma morte causada pela doença neste mês. A vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba. O caso foi confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde no domingo (10). O episódio aumentou a atenção das autoridades sanitárias, principalmente após a Organização Mundial da Saúde divulgar informações sobre mortes relacionadas ao hantavírus em passageiros de um navio que partiu da Argentina. Mesmo assim, especialistas afirmam que os registros brasileiros possuem contexto epidemiológico diferente do ocorrido no cruzeiro internacional.

Recomendações

As equipes de saúde orientam que a prevenção continua sendo a principal forma de evitar a contaminação. A recomendação é utilizar máscaras, luvas e produtos desinfetantes durante a limpeza de locais fechados, evitando varrer ambientes com sinais de infestação por roedores. Também é indicado manter alimentos armazenados corretamente e impedir o acesso de animais silvestres a depósitos e residências. Médicos alertam que pessoas com febre e sintomas respiratórios após contato com áreas rurais devem procurar atendimento imediato para diagnóstico e tratamento adequados.

 *Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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