
A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, declarou nesta sexta-feira (3/7) que o enfrentamento à violência que atinge a juventude negra é uma das principais prioridades da pasta. Ela comentou o tema durante entrevista concedida ao Podcast do Correio.
Ao falar sobre o aumento da letalidade policial registrado em 2025, a ministra destacou que o governo federal tem concentrado esforços na implementação do Plano Juventude Negra Viva, considerado a principal estratégia nacional para reduzir as mortes de jovens negros e ampliar o acesso a direitos.
Segundo ela, a iniciativa reúne 18 ministérios, conta com 217 ações em execução, recebeu investimento de R$ 850 milhões e já alcança 17 estados e 103 municípios.
Durante a entrevista às jornalistas Adriana Bernardes e Rafaela Gonçalves, a ministra afirmou que o plano foi construído a partir de debates realizados em todos os estados desde 2023, e busca atuar sobre diferentes fatores que aumentam a vulnerabilidade da população negra.
As ações envolvem educação, saúde, esporte, cultura, geração de renda e assistência social, além de medidas voltadas à segurança pública. "O Plano Juventude Negra Viva é o principal pacote e a principal medida que temos", afirmou.
A ministra explicou que programas como o Pé-de-Meia, a construção de quadras esportivas, linhas de crédito para jovens da agricultura familiar e a presença de 54 agentes territoriais fazem parte dessa articulação entre as diferentes áreas do governo.
Barros também destacou que parte das ações ocorre em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluindo a formação de agentes de segurança e o incentivo ao uso de câmeras corporais. Segundo ela, o governo também investe em políticas voltadas às famílias atingidas pela violência, como a Estratégia Nacional Mães e Familiares de Direitos, criada neste ano para oferecer atendimento psicossocial, acesso à Justiça e medidas de reparação.
Ela afirmou ainda que o combate à violência exige mudanças estruturais. "Precisamos, junto com todas essas políticas, mudar essa cultura que está nas instituições e na nossa sociedade", disse. A titular da pasta defendeu que o enfrentamento ao crime organizado passa pelo fortalecimento da inteligência policial, controle de armamentos, investigação e combate ao financiamento das organizações criminosas.
Locais de atendimento
Além das políticas voltadas para a juventude, a ministra apresentou outras iniciativas conduzidas pela pasta, entre elas as Casas da Igualdade Racial. Atualmente, cinco unidades estão em funcionamento nas cidades do Rio de Janeiro, Fortaleza, Pelotas, Salvador e Itabira (MG), oferecendo atendimento jurídico, psicológico e social, além de atividades culturais e ações de inclusão produtiva.
Um edital permanece aberto até 15 de julho para selecionar mais dez municípios interessados em implantar o equipamento.
Raquel Barros também destacou o avanço na regularização de territórios quilombolas. Segundo ela, desde 2023 foram entregues 74 títulos, regularizados mais de 93 mil hectares, e foram publicados 79 decretos que beneficiam mais de 12 mil famílias, resultado de uma atuação conjunta entre o Ministério da Igualdade Racial, a Fundação Cultural Palmares, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Casa Civil.
O tema ganhou destaque após a divulgação de dados da Rede de Observatórios da Segurança, que apontam crescimento de 6,4% nas mortes provocadas por intervenções policiais em 2025 nos nove estados monitorados. O levantamento mostra que 86% das vítimas eram pessoas negras, e que a maioria dos casos envolveu homens com até 29 anos.
A partir desse cenário, a entrevista abordou as medidas adotadas pelo governo federal para enfrentar a violência, ampliar a presença das políticas públicas nos territórios mais vulneráveis e fortalecer ações permanentes de promoção da igualdade racial em diferentes áreas do país.
Confira a entrevista completa:
*Estagiária sob supervisão de Victor Correia

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