sociedade

Insegurança preocupa mais o brasileiro do que corrupção

Pesquisa constata que combate à violência é prioridade para 28% dos entrevistados, para os quais há a percepção de que situação está se agravando. Levantamento considera que tecnologia é importante ferramenta para a proteção das pessoas

Apreensão de armas em operação policial no Rio. Para 70% dos entrevistados na pesquisa, criminalidade avançou muito nos últimos dois anos  -  (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Apreensão de armas em operação policial no Rio. Para 70% dos entrevistados na pesquisa, criminalidade avançou muito nos últimos dois anos - (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A insegurança provocada pela criminalidade é a principal preocupação dos brasileiros. Pesquisa realizada pela Quaest, em parceria com a Pax, uma empresa brasileira de inteligência artificial para segurança pública, aponta que, na visão dos cidadãos, a violência é o maior problema do país. A Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia aponta que o tema é prioridade para 28% dos entrevistados, à frente da corrupção (22%), da economia (19%) e da saúde (15%).

Segundo a pesquisa, há forte percepção de agravamento da criminalidade, pois 70% afirmam que a violência aumentou muito nos últimos dois anos — outros 9% afirmam que aumentou um pouco, mas, para 15%, a situação ficou igual. Apenas 5% percebem alguma redução — 4% dizem que diminuiu um pouco e 1%, que diminuiu muito.

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O levantamento perguntou aos entrevistados sobre o que "sabem ou ouvem falar" a respeito da violência no período. Entre aqueles que acreditam que aumentou, 73% atribuem a percepção tanto ao aumento do número de crimes quanto ao fato de os delitos terem ficado mais violentos. Outros 14% dizem que ocorreram mais crimes, enquanto 12% consideram que ficaram mais violentos.

A percepção de aumento da violência vem acompanhada de uma avaliação negativa sobre a punição aos criminosos. Sessenta e sete por cento dizem que a punição tem sido menor nos últimos anos, contra 22% que consideram que ela aumentou. Outros 11% não souberam ou não responderam.

A pesquisa também aponta para uma possível resposta tecnológica ao problema. Oitenta e seis por cento dos entrevistados são favoráveis ao uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) na segurança pública, sendo 60% totalmente favoráveis e 26% mais favoráveis do que contrários. Apenas 9% se posicionaram contra, 5% totalmente contra e 4% mais contra que favoráveis. O levantamento perguntou aos entrevistados, de forma geral, "quão favorável ou contrário" eram ao uso de IA na segurança pública.

Tecnologia

No entanto, os entrevistados também apontaram soluções e acreditam que a tecnologia é uma importante aliada para mais segurança. Câmeras de monitoramento integradas à inteligência artificial e ao trabalho policial são consideradas uma forma de melhorar a segurança por 93% dos brasileiros. O mesmo percentual aparece para a proposta de educar melhor e oferecer mais oportunidades aos jovens. Punir criminosos com leis mais rígidas tem 92% de concordância, enquanto investir em inteligência, com maior uso de tecnologia entre as forças policiais, e ampliar o policiamento nas ruas registram 90% cada.

"Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada. A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país — e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar", afirma David Peixoto, cofundador e CEO da Pax.

A pesquisa detalha também o que os entrevistados esperam do uso de câmeras conectadas a sistemas de inteligência artificial. Entre as aplicações apresentadas, 96% acreditam que pode ajudar no patrulhamento e na prevenção de crimes. O índice chega a 95% para coibir roubos e furtos, combater crimes violentos, recuperar bens roubados e buscar pessoas desaparecidas.

Quando os entrevistados tiveram de escolher em qual área a tecnologia poderia ajudar mais, o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher ficou em primeiro lugar — 15% das respostas. Na sequência aparecem combate às facções criminosas (10%), combate a roubos e furtos (9%) e, com 8% cada, melhoria da velocidade de resposta da polícia, busca por pessoas desaparecidas, investigação e esclarecimento de crimes e combate aos crimes violentos.

A adesão à tecnologia, entretanto, não é acompanhada de apoio irrestrito. Entre os entrevistados contrários ao uso de ferramentas de IA na segurança pública, o risco de erro na identificação de pessoas é a principal preocupação, citado por 16%. Em seguida aparecem a dúvida sobre a eficácia da tecnologia (15%) e a preocupação com invasão de privacidade (12%).

Embora a violência lidere o ranking da pergunta sobre o maior problema do país, outros temas têm peso relevante na percepção dos entrevistados. A corrupção aparece em segundo lugar, com 22%; a economia, em terceiro, com 19%; e a saúde, em quarto, com 15%.

A Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia foi realizada entre 12 e 15 de setembro de 2026, e entrevistou presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, por meio de entrevistas face a face com questionários estruturados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para um nível de confiança de 95%.

 

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postado em 18/09/2026 03:55
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