INVESTIGAÇÃO

Milton Leite não se entrega após 24h e polícia tenta achar ex-vereador

Embora tenha prometido se entregar às autoridades em até 24 horas, Milton Leite não se apresentou no prazo estipulado

A ordem de prisão temporária contra Milton Leite fundamenta-se em citações diretas ao seu nome nas apurações -  (crédito: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo)
A ordem de prisão temporária contra Milton Leite fundamenta-se em citações diretas ao seu nome nas apurações - (crédito: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo)

A Polícia Civil de São Paulo realiza buscas em Sorocaba, no interior paulista, para prender o ex-presidente da Câmara Municipal da capital Milton Leite (União Brasil). Considerado foragido, o ex-vereador é alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para combater a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano.

Durante o cumprimento do mandado em um endereço em Sorocaba, agentes da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes apreenderam cerca de R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie (equivalente a R$ 458,5 mil). A origem do dinheiro não foi comprovada. Dos 16 mandados de prisão expedidos pela Justiça, 10 foram cumpridos.

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Embora tenha prometido se entregar às autoridades em até 24 horas, Milton Leite não se apresentou no prazo estipulado. Em declaração ao jornal Estadão, o ex-parlamentar negou qualquer elo com a facção criminosa: "Nego veementemente todas as acusações e afirmações divulgadas. Não tenho relação com o PCC, não conheço seus membros nem sei quem são". A reportagem buscou novo contato nesta sexta-feira (18/9), mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto.

Entenda as investigações e a ligação com o PCC

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra esquemas de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. As apurações revelaram uma rede de comunicação entre integrantes da "Sintonia Restrita" e da "Sintonia dos Gravatas", além de planos para lançar candidatos ligados ao crime organizado nas eleições municipais.

A ordem de prisão temporária contra Milton Leite fundamenta-se em citações diretas ao seu nome nas apurações. Segundo a decisão do desembargador Sergio Ribas, o ex-vereador é apontado como "responsável direto pela operação de empresas controladas pelo PCC". Depoimentos de policiais militares no Tribunal de Justiça Militar indicam ainda que ele seria o proprietário oculto da Transwolff, viação investigada na Operação Fim da Linha (2024) e que teve o contrato cancelado pela Prefeitura de São Paulo.

A defesa da Transwolff nega qualquer ligação com a facção e afirma que Milton Leite jamais teve participação societária, atuou na gestão ou deu ordens a funcionários da companhia.

Milton Leite exerceu sete mandatos consecutivos como vereador e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis anos, deixando o Legislativo no fim de 2024, após 28 anos de atuação.

*Com informações da Agência Estado

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postado em 18/09/2026 14:44 / atualizado em 18/09/2026 14:49
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