RIO DE JANEIRO

PMs são presos por corrupção em esquema de policiamento privilegiado no Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou os três agentes nesta quinta-feira (10/9). Dois já estavam presos em razão de outro processo decorrente da mesma investigação

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta quinta-feira (10/9), três policiais militares pelo crime de corrupção passiva militar. De acordo com o órgão, os denunciados receberam e negociaram pagamentos para oferecer policiamento privilegiado à Clínica Fênix, em Belford Roxo. A clínica participava de uma rede de comerciantes e empresas chamados pelos policiais de “padrinhos”, que pagavam para receber atendimento diferenciado.

Os agentes, em troca dos pagamentos, direcionavam o patrulhamento, priorizavam esses locais nas rotas e compareciam quando acionados, utilizando a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados.

No caso da clínica, a investigação identificou o pagamento de R$ 50 e tratativas para que o valor chegasse a R$ 100. Além disso, mensagem extraídas dos celulares de um dos denunciados revelam que os envolvidos discutiram a diferença entre o valor pago e o que teria sido combinado. Em uma das conversas, um dos agentes afirma que “na vez dele foi galo”, expressão usada para se referir a R$ 50, e diz ter entendido que o acordo seria de R$ 100. O outro denunciado também relata ter recebido R$ 50.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do MPRJ, um dos policiais intermediava a relação com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento pelas diferentes equipes. Outro acompanhava as tratativas e os pagamentos. O terceiro teria realizado patrulhamento direcionado ao estabelecimento, enviado ao grupo de WhatsApp fotos da atuação no local e recebido pessoalmente R$ 50.

O Gaesp cumpriu três mandados de prisão preventiva contra os denunciados, durante a sexta fase da Operação Patrinus. Dois dos policiais já estavam presos em razão de outro processo decorrente da mesma investigação, que tiveram os mandados contra eles cumpridos no Batalhão Especial Prisional (BEP) e no presídio Joaquim Ferreira de Souza. O terceiro denunciado foi preso em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu.

Os atos de corrupção passiva militar ocorreram entre setembro e outubro de 2021, quando os três integravam o 39º BPM (Belford Roxo). Um deles foi expulso da corporação após o oferecimento da denúncia. A denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

 

Mais Lidas